O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta quarta-feira (3) que a indicação do deputado federal Otto Alencar Filho (PSD) para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) é fruto de um acordo político consolidado dentro da base governista e que o nome do parlamentar reúne “competência e experiência administrativa” para assumir o cargo. A declaração foi feita durante a apresentação de uma das composições do VLT de Salvador, na avenida Paralela.
Segundo o governador, a escolha foi discutida e amadurecida entre os partidos aliados. “Nós conversamos, o nosso campo político trabalha com acordo. O deputado federal Otto Filho demonstrou que tem experiência. Ele foi dirigente da Desenbahia, representa bem os municípios, e o PSD conduz uma ação importante no estado. Então, um jovem administrador que já demonstrou no Desenbahia que tem competência”, afirmou Jerônimo.
O petista observou ainda que a ida de Otto Filho ao TCE abre espaço na Câmara dos Deputados para a ascensão de Charles Fernandes (PSD), hoje suplente direto do parlamentar. “Isso favorece também o deputado federal Charles Fernandes, que com esse afastamento sobe. É a sequência da política”, disse.
Sobre a vaga aberta no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Jerônimo evitou antecipar movimentos e minimizou pressões externas. “TCM não é agora, não vamos criar expectativa. As pessoas podem manifestar interesse, mas o meu lugar é aguardar a hora correta.”
Empréstimo aprovado pela Assembleia
O governador também saiu em defesa do novo pedido de empréstimo autorizado pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) nesta semana. Ele afirmou que os recursos são essenciais para dar continuidade ao pacote de obras em andamento e que o estado mantém condições fiscais robustas para contrair financiamentos.
“Esse é um debate que a gente não pode fugir. Por que o empréstimo está ali? Porque nós buscamos recursos no governo federal. Ontem, em Ipiaú, autorizei uma obra de R$ 40 milhões, R$ 42 milhões. À tarde, R$ 33 milhões para salvar vidas em Dário Meira. Nós estamos brincando com isso?”, questionou.
Jerônimo criticou a atuação da oposição no tema, afirmando que o grupo trata o debate com superficialidade e desconsidera a falta de autorização para empréstimos durante a gestão do ex-governador Rui Costa (PT). “Se o governo federal passado deixasse o ex-governador Rui Costa tomar empréstimos, o Rui teria tomado. Ficamos seis anos sem ele poder tomar um empréstimo. A dívida nossa com os investimentos sociais só cresceu. O Rui fez milagres com recursos próprios e emendas, mas não foi suficiente.”
O governador reiterou que a aprovação da ALBA comprova que o estado possui boa saúde financeira. “Quando os empréstimos são enviados para a Assembleia e eu agradeço mais uma vez é prova de que nós temos condições de saúde financeira sanadas. Nem a Assembleia, nem a Secretaria da Fazenda, muito menos o Ministério da Economia aprovariam um investimento se o estado não tivesse capacidade de pagamento.”
Jerônimo destacou que a Bahia ocupa a 16ª posição no ranking de arrecadação nacional, o que torna necessário complementar o orçamento com financiamentos. “O dinheiro não é suficiente de um estado como a Bahia, que é a 16ª receita nacional, para fazer investimentos sem pedir ajuda.”
A fala ocorreu durante a apresentação do novo trem do VLT, que chegou a Salvador nesta semana após passar por restabelecimento técnico-operacional na fábrica da CAF, em Hortolândia (SP). A composição tem sete módulos divididos em três seções e integra a nova etapa do projeto de mobilidade em implantação no estado.
