O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), comentou nesta terça-feira (6) o recrudescimento da tensão na América do Sul após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A declaração foi dada antes da cerimônia de posse de Gildásio Penedo Filho na Presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA). Ao tratar do tema, Jerônimo adotou uma posição de reprovação à intervenção estrangeira, defendendo o respeito à soberania nacional e às normas do direito internacional.
Segundo o governador, há uma tentativa de associar o posicionamento de lideranças brasileiras, inclusive do presidente Lula, a um alinhamento automático com o governo de Nicolás Maduro. Ele rejeitou essa leitura e reforçou que nem o governo federal nem o grupo político ao qual pertence endossam o regime venezuelano. Para Jerônimo, a crítica à condução política interna da Venezuela não pode servir de justificativa para uma invasão militar, que classificou como um grave erro e uma ameaça à estabilidade regional.
“Qualquer gestor, qualquer ser humano, não concorda quando as coisas são feitas de forma equivocada”, afirmou, ao destacar que o Brasil, inclusive, já se posicionou de forma crítica em relação às últimas eleições venezuelanas, por falta de transparência nos resultados. Ainda assim, ele alertou para os riscos de naturalizar uma ação militar externa em um país vizinho.
Ao longo da entrevista, Jerônimo chamou atenção para a proximidade geográfica da Venezuela com o território brasileiro, especialmente com estados da Região Norte e a Amazônia, área estratégica por suas riquezas naturais. Na avaliação do governador, aceitar passivamente uma invasão abre um precedente perigoso para outras nações da região. “Tem gente querendo aproveitar isso e colar em Lula, em mim, no nosso time, a presença do Maduro. Nós não defendemos a posição de Maduro nenhuma. O que nós repudiamos foi a forma como um país invade o outro e faz um saque. Isso está errado. Não há concordância com a soberania nacional de nenhum país”, disse.
Jerônimo acrescentou que, mesmo atuando diretamente na área de segurança pública no âmbito estadual, não poderia se omitir diante de um episódio dessa magnitude. “Eu tenho cuidado da segurança pública, mas eu não posso, enquanto gestor da importância que a Bahia tem, me furtar a comentar um equívoco assim. É na porta nossa ali. Para chegar na Amazônia, para chegar nas nossas terras raras, é daqui para ali. Ou a gente defende um ato antidemocrático como esse que nós não concordamos, ou a gente está também na iminência de poder ser ocupado”, concluiu.
