Governador defende ampliação da rede pública de saúde e afirma que unidade proposta para o município, com 110 leitos, é insuficiente diante da demanda
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu a construção de um hospital municipal em Feira de Santana e afirmou que está disposto a negociar uma parceria com a prefeitura para viabilizar o equipamento. Em entrevista ao programa Bom Dia, Feira, o petista direcionou o apelo ao prefeito José Ronaldo (União Brasil) e argumentou que o tamanho da população exige uma estrutura de saúde mais ampla.
“Feira não pode continuar sem ter um hospital municipal. E eu estou me colocando à disposição para dizer assim: ‘Olhe, nós vamos ter que fazer um hospital municipal em Feira’”, declarou.
Jerônimo ressaltou que a proposta não deve ser tratada como uma disputa política entre o governo estadual e a gestão municipal, mas como uma resposta à necessidade de atendimento da população, especialmente de quem não tem condições de pagar por consultas e serviços particulares.
“Não estou cobrando, empurrando no colo do prefeito Zé Ronaldo. Eu estou me colocando à disposição”, afirmou.
Governador questiona capacidade de hospital proposto
Durante a entrevista, Jerônimo também questionou a capacidade da unidade hospitalar apresentada como proposta para Feira de Santana, com previsão de 110 leitos. Para sustentar o argumento, comparou o projeto com a estrutura de saúde de Itabuna, município que, segundo ele, tem cerca de 196 mil habitantes e conta com um hospital com mais de 200 leitos.
“Feira de Santana, três vezes , e vai ter um de 110?”, questionou.
O governador defendeu que o planejamento leve em consideração o tamanho da população feirense e a demanda por serviços públicos de saúde. Ele também destacou a importância de unidades como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), policlínicas e hospitais municipais para evitar que casos que poderiam ser atendidos localmente sobrecarreguem unidades estaduais.
Jerônimo destaca novos hospitais estaduais
Na entrevista, o governador afirmou que o Estado tem 15 hospitais entregues em três anos e meio de gestão, além de outros nove em construção. Entre os municípios citados com previsão de receber novas unidades estão Valença, Serrinha, Paulo Afonso, Itapetinga e Jacobina.
Segundo Jerônimo, a expansão da rede estadual busca descentralizar o atendimento de alta complexidade e reduzir os deslocamentos de pacientes para cidades que concentram serviços hospitalares.
Como exemplo, mencionou que moradores de municípios da Costa do Dendê recorrem atualmente a unidades em Ilhéus, Itabuna, Jequié ou Feira de Santana quando precisam de atendimento mais complexo. Com a implantação de um hospital em Valença, a expectativa é reduzir parte dessa pressão sobre outras cidades.
O governador argumentou, contudo, que a ampliação da rede estadual precisa ser acompanhada de investimentos municipais para fortalecer o atendimento mais próximo dos moradores.
Ao defender a construção do hospital em Feira, Jerônimo também mencionou a necessidade de apoio do governo federal, citando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como aliado para viabilizar investimentos na saúde pública.
A entrevista não detalhou um cronograma para a construção do hospital municipal nem estabeleceu os termos de uma eventual parceria entre o governo estadual e a prefeitura de Feira de Santana.