O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou nesta segunda-feira (22) que vai trabalhar “até o último momento” para evitar um racha na base aliada na Bahia diante do impasse na montagem da chapa majoritária para as eleições de 2026, sobretudo diante da possibilidade de o PSD ficar fora da composição.
Em entrevista à rádio Metrópole, Wagner disse que a discussão sobre a chapa deve ser retomada no início de 2026, embora o debate político costume se intensificar a partir de julho do ano anterior. Segundo ele, o compromisso firmado dentro do grupo é buscar uma solução negociada no começo do próximo ano.
“Eu vou trabalhar até o último momento do prazo definitivo para anunciar a chapa. Nosso compromisso é conversar e retomar o tema em janeiro ou fevereiro”, afirmou.
O senador rejeitou a ideia de que a atual configuração em debate represente uma “chapa puro-sangue” do PT. Wagner citou como exemplo a aliança formada em 2022, com Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e ele próprio, todos petistas. Para o senador, a força daquela chapa não se deu pela filiação partidária, mas pelo peso político dos nomes envolvidos.
“Não é porque os três são do PT. São dois ex-governadores e o atual governador que vai para a reeleição. Quando você pergunta aos prefeitos, todo mundo sabe que é uma chapa forte por isso”, disse.
Wagner afirmou que tem mantido conversas com lideranças do grupo, incluindo o senador Otto Alencar (PSD), o senador Angelo Coronel (PSD) e outros dirigentes partidários, na tentativa de construir uma composição que contemple todos os aliados. Ele destacou o crescimento do PSD dentro do grupo governista desde a sua criação na Bahia, ainda durante seu governo.
“O PSD cresceu muito. Não existia PSD na Bahia quando eu era governador. Hoje tem deputados federais, estaduais, dois senadores, muitos prefeitos. Esse grupo fez bem a todo mundo”, afirmou.
O líder do governo no Senado disse acreditar que a coalizão construída nos últimos anos é ampla e acolhedora, permitindo o crescimento de diferentes legendas, como o Avante, e afastou a hipótese de um rompimento iminente. “Eu pessoalmente acho e tenho convicção de que não terá racha. Vou trabalhar para isso. Se acontecer, será contra a minha vontade”, declarou.
Wagner reconheceu, no entanto, que o impasse é real e envolve interesses legítimos. Ele confirmou a intenção de disputar a reeleição ao Senado, assim como Angelo Coronel, enquanto Rui Costa também teria o direito de pleitear uma vaga majoritária após ter permanecido no governo até o fim do mandato para garantir a unidade do grupo em 2022.
“Nós três estamos no nosso direito. Agora temos que tentar fazer uma composição para não ter racha. Se depender da minha vontade, não vai ter. É só ter boa vontade de todo mundo”, afirmou.
