Em sabatina na TV Aratu, senador afirmou que a regulamentação aprovada em 2023 visava combater a evasão de divisas, mas sustentou que as plataformas digitais devem ser extintas mesmo diante da pressão de clubes de futebol.
Durante sabatina realizada pela TV Aratu e Rádio Antena 1 Salvador nesta segunda-feira (21), o senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT-BA) defendeu a extinção definitiva das plataformas de apostas esportivas e jogos eletrônicos virtuais no país. Questionado sobre a legislação aprovada pelo Congresso Nacional no fim de 2023, Wagner explicou que a tentativa anterior de regulação buscou tirar as empresas da informalidade tributária, mas reconheceu que o modelo causou danos severos às famílias brasileiras.
“Quando nós regulamentamos era porque as bets operavam na ilegalidade, sem regulamentação, não pagavam nenhum imposto e remetiam dinheiro para o exterior. A regulamentação visava dar algum grau de normatização. Infelizmente, ficou comprovado que as bets hoje são uma doença social, e realmente a vontade do presidente Lula é de terminar definitivamente com as bets”, afirmou o senador.
Ao comparar as ferramentas digitais aos cassinos físicos existentes em outros países, Wagner destacou a agressividade dos algoritmos presentes no cotidiano dos cidadãos. “Há uma reação muito grande no Brasil quando se fala em cassino físico. Num cassino físico você teria vigilância na porta, teria identificação e limite para o que a pessoa vai gastar. Na bet, o menino está no banheiro da escola, em casa, no quarto, ou um adulto joga 24 horas por dia. Sabemos do número de suicídios e de famílias que entraram em colapso financeiro por dívidas de jogo. O SUS vai ter que atender todo esse contingente, e o custo do tratamento de depressão é altíssimo”, alertou.
O congressista também rebateu a preocupação manifestada por agremiações esportivas quanto à perda de contratos comerciais. “Antes não tinha bet e os clubes de futebol sobreviviam. Agora os clubes acham bom receber o volume de dinheiro da propaganda. Quando acabar a bet, os clubes vão encontrar outras formas de patrocínio para continuar vivendo, como sempre viveram. O futebol brasileiro inclusive era muito mais vitorioso antes do advento das bets”, concluiu Jaques Wagner.