Primeira mulher a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a deputada estadual Ivana Bastos (PSD) afirma que o cargo impõe um nível de cobrança superior e a obriga a conduzir a Casa com atenção redobrada.
À frente de um Parlamento formado por 63 deputados e marcado pela diversidade de correntes partidárias, ela diz que o principal desafio é conciliar interesses e, ao mesmo tempo, abrir espaço para uma atuação mais coletiva.
“Olha, eu não posso errar. O ser humano é passivo de erro, mas eu não posso errar. A expectativa e a luta para chegar lá foram muito grandes e estou abrindo o caminho para outras mulheres. Então preciso deixar um legado na Assembleia”, afirmou em entrevista ao programa Sociedade Urgente.
Ivana relatou que, ao assumir o comando da ALBA, enfrentou resistência interna e dúvidas quanto à sua capacidade de articulação política. Segundo ela, o cenário foi sendo revertido à medida que buscou incluir diferentes grupos na condução dos trabalhos. “Primeiro diziam que eu não agregava, e a gente conseguiu agregar. É uma casa com várias correntes partidárias, mas na presidência você não representa só uma delas. Eu prestigiei e dei apoio aos 62 deputados, assim como aos funcionários da casa”, disse.
A presidente destacou que uma das marcas de sua gestão tem sido a retomada do diálogo institucional e a reorganização da rotina administrativa. De acordo com Ivana, houve uma mudança no funcionamento da mesa diretora e na relação com servidores e lideranças partidárias.
“Nós atendemos o sindicato da casa, visitamos todos os setores e estamos arrumando o que precisa ser melhorado. É uma gestão compartilhada. Antes, a mesa diretora passava 6, 7 meses sem se reunir. Hoje temos reuniões mensais e extraordinárias quando necessário, e criamos o colegiado de líderes para discutir demandas de cada bancada e tomar decisões juntos. Quando se tem gestão compartilhada, as coisas começam a fluir melhor”, afirmou.
Para Ivana Bastos, o esforço para tornar a ALBA mais integrada e funcional também tem um significado simbólico. Ao ocupar um espaço historicamente dominado por homens, a deputada diz que sua atuação busca consolidar avanços institucionais e abrir precedentes para que outras mulheres cheguem aos postos mais altos do Legislativo baiano.

