A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos (PSD), afirmou que a classificação do Legislativo estadual como uma “casa do amém” não corresponde à dinâmica atual da instituição e causa incômodo. Segundo ela, o termo sugere uma submissão ao Executivo que, na sua avaliação, não existe na prática.
Em entrevista ao programa Sociedade Urgente, a deputada reagiu diretamente à expressão, frequentemente usada por críticos para caracterizar a relação entre a Assembleia e o governo do estado. “Isso incomoda. A Assembleia Legislativa somos nós, 63 deputados. Apesar de eu ser aliada ao governo do estado, não somos subservientes. Temos respeito ao governo, discutimos e debatemos os projetos, aprovando aqueles que são positivos para a Bahia”, afirmou.
Ivana sustenta que a ALBA mantém autonomia política e institucional, mesmo em um ambiente de maioria governista. Para ela, o papel do Parlamento é avaliar as propostas enviadas pelo Executivo, mas também garantir espaço para a produção legislativa dos próprios deputados, algo que, segundo diz, não ocorria de forma satisfatória em gestões anteriores.
“Uma coisa que me incomodava muito na Assembleia era que não votávamos projetos de deputados, só do Executivo e do Judiciário. A casa não é subserviente, é uma casa que respeita os poderes e cumpre seu papel. Encerramos este ano com recorde de projetos e debates acalorados. Isso é parlamento, isso movimenta”, declarou.
A presidente da ALBA afirmou ainda que a diversidade partidária e ideológica da Casa impede uma atuação homogênea ou automática em favor do governo. “Os 63 deputados têm identidade política, mas também consciência de que precisamos responder à sociedade, respeitar os poderes e trabalhar com harmonia com todos eles. E isso aconteceu”, disse.
Primeira mulher a comandar o Legislativo baiano, Ivana Bastos tem defendido que a imagem da Assembleia precisa refletir o funcionamento interno do Parlamento, marcado, segundo ela, por discussões, divergências e negociação política. Na sua avaliação, esse processo é incompatível com a ideia de um Legislativo passivo ou meramente homologador das decisões do Executivo.

