A secretária municipal de Reparação de Salvador (Semur), Isaura Genoveva, afirmou neste domingo (2) que o debate sobre justiça climática deve ser compreendido também como uma pauta de reparação histórica à população negra. A declaração foi dada em entrevista à imprensa durante o Simpósio Internacional Justiça Climática e Adaptação, realizado na Associação Comercial da Bahia (ACB), em Salvador.
Segundo Isaura, discutir justiça climática é reconhecer que as pessoas negras estão entre as mais afetadas pelos impactos da crise ambiental, especialmente nas grandes cidades.
“Falar de justiça climática é também falar de reparação. É reconhecer a dívida histórica com o povo preto e propor políticas públicas estratégicas para enfrentar essa desigualdade. As pessoas que mais sofrem com os efeitos da crise climática são as pessoas negras”, destacou.
A secretária ressaltou que, diante da vulnerabilidade social e ambiental das comunidades negras, é essencial que essas populações sejam prioridade nas ações de adaptação e mitigação climática.
“Se nós somos a maioria da população e estamos em todos os lugares, também precisamos ser as pessoas que merecem mais atenção e cuidado nesse tema tão importante para o mundo”, afirmou.
Isaura também falou sobre as ações da prefeitura de Salvador dentro da programação do Novembro Salvador Capital Afro, iniciativa que celebra a cultura negra e promove o enfrentamento ao racismo em suas diversas formas.
“Estamos com 40 dias de atividades — começamos em 26 de outubro e vamos até 6 de dezembro —, com ações nas áreas da arte, música, cultura, culinária e debates como este sobre justiça climática e racismo ambiental”, explicou.
A secretária reforçou que o compromisso da gestão municipal é manter o enfrentamento ao racismo como pauta permanente, e não restrita apenas ao mês da consciência negra.
“A proposta é discutir o enfrentamento ao racismo o ano inteiro. Novembro é um marco, mas essa luta precisa ser contínua”, concluiu.
O Simpósio Internacional Justiça Climática e Adaptação reuniu lideranças políticas, empresariais e sociais do Brasil e de países africanos para discutir os desafios das comunidades vulneráveis diante das mudanças climáticas e a importância de políticas públicas inclusivas.

