Presidente da ACB afirma que categoria não é contra avanços, mas exige isonomia e compensações para que pequenas empresas consigam se adaptar à nova realidade
A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, defendeu nesta quinta-feira (8) a necessidade de discutir a redução da jornada de trabalho no Brasil, mas afirmou que a proposta precisa considerar a realidade das empresas, especialmente dos pequenos negócios. Para ela, o debate é legítimo e necessário, mas não pode ocorrer sem medidas de transição e compensação para o setor produtivo.
Segundo Isabela, a classe empresarial não se recusa a acompanhar mudanças nas relações de trabalho e reconhece que a busca por mais tempo livre e qualidade de vida é uma demanda legítima da sociedade.
“Nem se refuta e ninguém se recusa a avançar no processo civilizatório. A redução de jornada, em algum momento, precisava ser discutida. As pessoas querem mais tempo, querem mais qualidade de vida”, afirmou.
A presidente da ACB, no entanto, ponderou que a forma como a proposta vem sendo apresentada pode dificultar sua aplicação, principalmente para micro e pequenas empresas.
“O que a gente está dizendo é que o pequeno não consegue aplicar na forma como ela está sendo apresentada. Não significa dizer: ‘ah, não, eu sou contra’. Não, ninguém é contra nada. O que a gente quer é uma isonomia”, declarou.
Para Isabela, é necessário discutir mecanismos que permitam ao setor empresarial se adaptar à eventual mudança. Entre os pontos que, segundo ela, precisam estar na mesa estão compensações tributárias e uma transição gradual.
“Qual o imposto que pode ser abatido? Onde é que a gente pode ser compensado? Vai ser discutida uma transição para que todo mundo possa efetivamente se adequar a essa nova proposta?”, questionou.
A dirigente afirmou ainda que o debate acabou sendo conduzido de maneira acelerada e avaliou que a proximidade com o período eleitoral pode prejudicar uma discussão que, na sua avaliação, deveria ser tratada de maneira técnica e responsável.
“Eu acho que essas coisas não foram discutidas, foi tudo feito de forma muito atropelada para garantir o resultado eleitoral”, criticou.
Apesar das ressalvas, Isabela afirmou que considera urgente a realização do debate sobre a jornada de trabalho. Para ela, a discussão precisa ocorrer com cuidado e levando em consideração a capacidade de adaptação das empresas.
“Acho que é uma discussão que em algum momento vai precisar ser feita, inclusive acho que de forma urgente, mas com cuidado. Quando você coloca isso em um período pré-eleitoral, eu acho que ela fica sendo prejudicada”, afirmou.
Ao concluir, a presidente da ACB reforçou que a preocupação do setor empresarial é garantir condições para que as empresas continuem funcionando, produzindo e gerando empregos.
“O que a gente espera é que toda a classe empresarial tenha a condição de continuar produzindo e que as condições sejam asseguradas. É só isso que a gente quer”, afirmou.