O prefeito de Alagoinhas, Gustavo Carmo (PSD), discutiu a crise do transporte público no país durante entrevista concedida à Rádio Ouro Negro FM nesta quarta-feira (7), ocasião em que defendeu a adoção da Tarifa Zero aos domingos e feriados no município.
Na avaliação do gestor, o transporte coletivo deve ser tratado como um direito social, o que justifica a atuação direta do poder público por meio de subsídios para evitar a interrupção ou o colapso do serviço. Segundo ele, a prefeitura tem assumido parte significativa dos custos para garantir a continuidade da operação.
Gustavo Carmo afirmou que a chamada “conta do transporte” não se sustenta em nenhuma cidade brasileira, principalmente em razão da redução no número de usuários pagantes. Esse cenário, de acordo com o prefeito, obriga os municípios a manterem linhas, horários e frotas com recursos próprios, assegurando o atendimento à população que depende exclusivamente do ônibus.
O gestor informou que, ao longo de 2025, a Prefeitura de Alagoinhas investiu cerca de R$ 7 milhões em subsídios destinados à empresa ATP, com o objetivo de estabilizar o sistema. A medida, segundo ele, contribuiu para evitar problemas recorrentes de quebras de veículos, comuns em anos anteriores, embora a frota ainda careça de renovação.
“No Brasil, ninguém usa o transporte porque quer, usa porque precisa. Por isso defendemos a função social e a Tarifa Zero. Conseguimos estabilizar o sistema em 2025, a frota melhorou, mas ainda é antiga. O desafio agora é renovar: temos autorização para investir R$ 30 milhões em 50 novos ônibus, mas o mercado encareceu. Quando o governo federal lançou os investimentos, o preço do ônibus saltou de R$ 700 mil para R$ 1,5 milhão”, explicou o prefeito.
A proposta da Tarifa Zero, aplicada exclusivamente aos domingos e feriados, tem como objetivo ampliar o acesso da população ao lazer e reduzir os custos de deslocamento, especialmente para famílias de baixa renda. Nos demais dias da semana, a passagem permanece no valor de R$ 4,30, mantido graças a um aporte financeiro do município que cobre aproximadamente 40% da tarifa técnica real.
Por fim, Gustavo Carmo destacou que o processo de renovação da frota, viabilizado por meio do Novo PAC, segue em andamento, mas ressaltou que o aumento generalizado nos custos de produção de ônibus exige ajustes financeiros contínuos para possibilitar a chegada de veículos zero quilômetro ao município.
