Durante participação no evento S.O.S Bahia, promovido pela Fundação Índigo em Irecê, nesta quinta-feira (5), o ex-ministro Ciro Gomes comentou publicamente os motivos que o levaram a se desligar do PDT, legenda à qual esteve ligado por décadas. Ao ser questionado sobre se o rompimento teria relação com investigações recentes envolvendo quadros do partido, como o caso do INSS que atingiu o ex-ministro Carlos Lupi e a Operação Overclean, que teve como alvo o deputado federal Félix Mendonça Jr., Ciro evitou associar sua decisão a episódios judiciais.
Para ilustrar sua posição, recorreu a uma comparação pessoal: “A gente, quando desfaz um casamento, não é de bom tom falar da ex-mulher”, disse, sinalizando que não comentaria diretamente os escândalos. Apesar disso, deixou claro que a motivação do afastamento foi essencialmente política. Segundo o ex-ministro, a permanência no partido tornou-se insustentável após o que definiu como a perda de independência do PDT, afirmando que a sigla “se vendeu para o PT” ao se alinhar integralmente ao governo federal.
A declaração feita na Bahia reforça o movimento de Ciro para se reposicionar no campo da oposição ao lulismo, mesmo partindo de uma trajetória histórica à esquerda. O ex-ministro tem buscado diálogo com outras forças políticas, a exemplo do União Brasil e do PSDB, como parte da estratégia para reorganizar seu projeto político no Ceará.
Ciro afirmou ainda que o alinhamento automático do PDT ao Palácio do Planalto vinha lhe causando incômodo há bastante tempo, classificando a situação como algo que o “constrangendo há muito tempo”. Para ele, o atual cenário político exige a construção de caminhos alternativos, distantes do que chamou de “fisiologia política”, prática que, segundo avalia, compromete a coerência e a credibilidade partidária.
