Durante agenda em Irecê nesta quinta-feira (5), o ex-ministro Ciro Gomes avaliou as recentes articulações conduzidas por Gilberto Kassab à frente do PSD, partido que vem atraindo governadores com projeção nacional. Na visão de Ciro, o movimento liderado por Kassab é “inteligente e visionária”, pois dialoga com um eleitorado cansado da polarização política. Para ele, há um contingente expressivo de brasileiros que vota mais por rejeição do que por convicção.
“Eu acho que ele está sentindo que tem uma parte grande de brasileiros que está votando no A porque odeia o B e está votando no B porque odeia o A. Se tivesse um C, provavelmente poderiam votar”, afirmou, defendendo que o surgimento de uma alternativa fortalece o equilíbrio democrático.
Ao comentar seus próprios passos no cenário político, Ciro adotou cautela e disse viver um momento de reflexão. Segundo ele, não havia, num primeiro momento, disposição para disputar novas eleições, mas a conjuntura pode levá-lo a rever essa posição. “Estou nessa fase de pegar corda, de ouvir as pessoas e ter clarezas. Posso eventualmente ser candidato se entender que essa é uma tarefa que envolve a minha responsabilidade”, declarou, sem descartar uma candidatura no Ceará ou outro papel relevante conforme o cenário nacional evolua.
Ciro também explicou sua participação no evento da Fundação Índigo aproveitando para fazer elogios públicos a ACM Neto (União Brasil), a quem apontou como uma alternativa ao grupo que governa a Bahia há anos. Em tom crítico, classificou o atual modelo político do estado como uma “esclerose múltipla”, acusando o grupo no poder de se manter por inércia e sem projetos estruturantes. “Acho que o Neto é um sopro de modernidade, um sopro de competência e de seriedade. Eles brigam entre si, mas se juntam para conservar o poder, renovando promessas onde a Ponte Salvador-Itaparica é a maior caricatura”, afirmou.
Encerrando sua fala, o ex-ministro defendeu a necessidade de uma ruptura com práticas políticas que considera ultrapassadas, afirmando que é hora de “dar uma sugesta” no sistema. Para Ciro, o desgaste do atual modelo de gestão na Bahia — marcado, segundo ele, por abuso de poder e falta de entregas concretas — cria espaço para lideranças com perfil técnico e menos ideológico. Ao elogiar Kassab e se aproximar de quadros do União Brasil, Ciro sinaliza que a construção de uma alternativa nacional para 2026 deve passar pela convergência de forças que hoje estão fora do eixo central do Palácio do Planalto.
