Primeira-dama e titular da Assistência Social, Lianne Carmo afirma que a gestão pública precisa articular acolhimento policial, jurídico e de autonomia financeira
Durante a entrega de novos equipamentos da rede de proteção à mulher no município de Alagoinhas, a secretária de Assistência Social e primeira-dama do município, Lianne Carmo, destacou a complexidade da atuação feminina na política e defendeu o fortalecimento do trabalho interdisciplinar entre o município, o governo do Estado e os órgãos de Justiça no combate à violência doméstica.
Ao abrir sua fala, a secretária pontuou os desafios adicionais enfrentados pelas mulheres na gestão pública. “Fazer política para mulher não é tão tranquilo, né? A gente acaba dividindo também pautas com outras situações e muitas vezes, pelo fato de sermos mulheres, mães, ou que não são mães, mas tem esse estado de maternidade, a gente vai muitas vezes deixando alguma coisa de lado e puxando outra coisa também”, afirmou.
Lianne lembrou o acúmulo de pautas geridas pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) no mês de agosto e defendeu a necessidade de resgatar políticas públicas historicamente marginalizadas. “Nosso agosto não é um Agosto Lilás lá na Seds, né? É um Agosto Verde, é um agosto também da Semana da Deficiência, e a gente tem que centralizar o que a gente quer potencializar. (…) É uma política que foi esquecida muitas vezes, que foi preterida, que foi mitigada, que foi deixada muitas vezes para trás, né? E a gente tem que ter a firmeza no propósito.”
Durante a cerimônia, a titular da pasta fez questão de agradecer a parlamentares, conselhos e órgãos estaduais, reforçando que o atendimento isolado de equipamentos como o Centro de Referência à Mulher (CRM) é insuficiente se não houver articulação. “O CRM não vai fazer nada sozinho, né? A gente precisa da DEAM… Dra. Lélia era para estar aqui na frente, viu? Vocês erraram gravemente isso aqui, viu gente?”, brincou, dirigindo-se à plateia ao citar a delegada e o promotor Aveny.
A secretária destacou a importância de iniciativas recentes, como a Sala Lilás da Polícia Técnica, voltadas ao atendimento humanizado. “E a gente tem a Polícia Técnica que, através da Sala Lilás — anteontem inaugurada —, traz uma humanização para esse momento tão de dor e tão de conflito que a gente passa com a mulher quando é vítima de violência. E também temos a Ronda Maria da Penha, temos a PM, temos a Defensoria Pública, o Ministério Público… Temos uma rede de proteção, graças a Deus, estruturada. Mas precisamos ter essa rede de proteção alinhada.”
Para Lianne, o foco da gestão iniciada no começo do ano é garantir previsibilidade e suporte contínuo às vítimas, extrapolando o atendimento emergencial de segurança. “Esse alinhamento a gente já começou a fazer a partir de janeiro deste ano. Porque é importante que a mulher, no momento em que tenha o desespero, ela saiba a porta que vai bater, que vai ter o primeiro atendimento, o segundo, o terceiro, o quarto, para a retomada da vida dela. Porque não é só a violência… Tirar de uma situação de tentativa de homicídio, não é só a lesão. Tem outras sequelas que precisam ser tratadas”, ressaltou.
Além do acolhimento das agressões, a secretária defendeu a reconstrução da autonomia financeira e pessoal das cidadãs por meio dos novos equipamentos públicos. “Tem também a autonomia dessa mulher na dignidade da vida dela no total. E é através desses equipamentos, desse aqui hoje principalmente, que a gente traz o plano de vida, o plano que a gente tem de recuperação, de segurança, e a gente precisa fortalecer essa mulher.”
Ao encerrar seu discurso, a primeira-dama direcionou a fala ao prefeito e reiterou a ambição de transformar o município em referência estadual nas políticas sociais. “Com o compromisso, reforçando o compromisso, que a gente precisa cada vez mais dialogar em rede e fazer com que o município de Alagoinhas continue sendo referência, mas melhorando a referência para sair do polo do Agreste para ser referência do Estado. (…) E estou aqui, viu prefeito, firme e forte na batalha, porque é isso que eu acredito. (…) Eu sou não só porque sou mulher, porque sou ser humano. Então todas as políticas têm que ser feitas na tentativa do ser humano ter sua plena existência de acordo com o que é preconizado na nossa Constituição Federal.”