Às vésperas do Dia das Mães, governador utilizou plenária do PGP em Feira de Santana para criticar a privação do convívio familiar imposta pelas jornadas exaustivas e homenagear a resistência de mulheres negras e quilombolas.
A Grande Plenária Territorial do Programa de Governo Participativo (PGP) 2026, realizada na manhã deste sábado (9) em Feira de Santana, foi marcada por um forte discurso de viés social do governador Jerônimo Rodrigues. O chefe do Executivo estadual mergulhou no debate nacional sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 e criticou o machismo estrutural enraizado nas dinâmicas familiares.
Rodrigues conectou a luta pelos direitos trabalhistas ao sacrifício histórico das mães, especialmente as mais pobres. Ao citar uma jovem liderança estudantil presente no evento, ele foi enfático sobre os impactos das escalas exaustivas. “Essa geração aqui já perdemos o jogo quanto à jornada de 6 por 1, porque nós não tivemos a oportunidade dos nossos pais, das nossas mães, cuidarem de nós mais do que elas poderiam fazer, porque a jornada não permitia”, pontuou o governador, ressaltando que o modelo restringe o tempo para a casa, a saúde e os estudos.
O gestor também relembrou que os avanços trabalhistas sempre enfrentaram resistência e terrorismo econômico. “Todas as vezes que a sociedade é chamada a responder com ações concretas, eles botam medo em nós. Foi assim com a carteira assinada: ‘não assina carteira porque vai demitir o povo’, ‘não assina em carteira porque vai reduzir salário'”, criticou, afirmando que a luta atual é mais um capítulo dessa disputa histórica por direitos.
O comportamento machista nas datas comemorativas também foi alvo de reflexão do governador. Jerônimo questionou o padrão de presentes dados às mulheres, contrapondo os itens de uso pessoal que os homens costumam receber com os utilitários domésticos geralmente ofertados a elas. “A nós pais, no aniversário, Dia das Mães, a gente ganha camisa, sapato, caneta, óculos, perfume. Mas às mães a gente dá jogo de panela, a gente dá fogão, a gente dá botijão. É duro isso. Como se um jogo de panela fosse um presente pra uma mulher”, declarou.
Ainda durante o ato, o governador homenageou mulheres que marcaram sua trajetória pessoal e enalteceu o protagonismo de jovens negras e quilombolas — como Duda e Larissa, citadas por ele — que estão ocupando os microfones e espaços de fala, rompendo com um passado onde lhes eram negadas até mesmo as oportunidades básicas nas salas de aula.
