O senador Angelo Coronel (PSD) voltou a endurecer o discurso contra a direção de seu ex-partido e, especialmente, contra a postura do senador Otto Alencar, presidente estadual da sigla, ao afirmar que promessas de reação feitas no passado não se concretizaram. Segundo Coronel, a falta de enfrentamento interno resultou em seu isolamento político e na retirada de seu nome da chapa majoritária governista na Bahia.
“Na minha veia corre sangue, não corre água”, afirmou o senador, ao sustentar que houve declarações públicas, registradas pela imprensa, indicando que o partido reagiria caso ele não fosse mantido como candidato ao Senado. “Sempre dizia: se o Coronel não estiver na chapa de senador, o PSD rompe. Mas eu acho que ficou só da boca pra fora”, disse.
Na avaliação do senador, longe de haver um rompimento, o que ocorreu foi o seu esvaziamento político dentro da própria legenda. “Não houve rompimento, muito pelo contrário. Houve, literalmente, uma defenestração do meu nome dentro do partido, limado com a lima grossa”, afirmou, usando a expressão como metáfora para descrever o processo de exclusão interna.
A crítica é interpretada nos bastidores como um recado direto a Otto Alencar, que, apesar de declarações públicas em defesa de Coronel, não teria reagido de forma efetiva às decisões que resultaram na mudança da composição da chapa governista.
Coronel confirmou que avalia novos caminhos partidários, incluindo uma possível filiação ao União Brasil, mas afirmou que a decisão ainda será tomada com cautela. “Entrar no União Brasil, mas nós estamos analisando pra ver qual é a melhor posição”, disse. Segundo ele, a escolha levará em conta o equilíbrio interno das legendas. “Não é só o Coronel entrar. Tem candidatos, e pra não ter problema também com quem já está lá. Todo mundo não é a favor que entre alguém que possa ser sombra.”
O senador afirmou que pretende se filiar a um partido onde haja consenso político. “Vou escolher um partido que tenha consenso, pra poder não ter briga com ninguém”, declarou, ao indicar que o movimento envolve também aliados que o acompanham.
Ele citou ainda articulações recentes em Feira de Santana, município estratégico em seu projeto político. Segundo Coronel, os primeiros movimentos ocorreram em reuniões com vereadores locais. “A primeira entrada da minha Feira de Santana foram com os vereadores”, afirmou, mencionando encontros capitaneados por Pedro Américo e José Valdir, além de conversas com o ex-prefeito José Ronaldo e com Zé Chico, que, segundo ele, se dispôs a coordenar sua campanha no município.
Em tom de resistência, o senador afirmou que tem recebido manifestações de apoio para seguir na disputa. “Vários amigos e amigas sempre recebendo ligações de conforto”, disse, antes de reforçar sua disposição política. “Fica aqui o recado do agradecimento: não vou desistir, irei resistir.”
