O vereador de Camaçari Tagner Cerqueira (PT) afirmou que o grupo político liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) adota um modelo centralizador que dificulta o crescimento de seus próprios aliados. A declaração foi feita nesta quarta-feira (7), durante entrevista à rádio Sauípe FM, no programa É do Povo, apresentado por Gabriel Seixas.
Na avaliação do parlamentar, há uma diferença estrutural entre o campo governista e a oposição na Bahia. Segundo Tagner, enquanto a base liderada pelo PT aposta em projetos coletivos e amplia espaços de poder para partidos aliados, o grupo oposicionista concentra decisões e limita a projeção interna de novas lideranças.
“No nosso campo, todo mundo cresce. Do outro lado, cresce um ou outro. Não há perspectiva de avanço político”, afirmou o vereador.
Tagner citou como exemplo o senador Otto Alencar (PSD), que, segundo ele, teve sua trajetória política fortalecida após ser convidado por Jaques Wagner a ingressar na vida partidária, depois de atuar no Tribunal de Contas. O vereador também mencionou a expansão do PSD na Bahia como resultado de um ambiente político que estimula alianças duradouras e compartilhamento de protagonismo.
Em contraponto, o petista avaliou que partidos e lideranças que migraram para a oposição perderam espaço político ao longo dos últimos anos. Para ele, a condução de ACM Neto tende a enfraquecer aliados ao concentrar as principais decisões estratégicas. “É um modelo em que o líder decide tudo e os demais ficam sem espaço. Foi assim em eleições passadas, quando alianças foram desfeitas na reta final”, disse, ao relembrar episódios envolvendo antigos parceiros do ex-prefeito.
O vereador também exaltou a atuação do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a quem atribuiu um perfil de liderança mais aberto ao diálogo e à construção coletiva. “Nosso grupo é organizado, plural e unido. Jerônimo é um líder agregador, que conversa com todos e divide responsabilidades”, afirmou.
Segundo Tagner, a base governista na Bahia reúne partidos como PT, PSD, Avante, PCdoB e PDT, todos com participação efetiva na administração estadual. “Aqui o projeto é coletivo. O crescimento é compartilhado, e isso faz toda a diferença”, concluiu.
