Salvador, 19/10/2026 07:45

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Debate entre Lula e Flávio tem ataques, acusações e confusão na Band

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Presidente e senador discutiram segurança, economia e saúde a uma semana do segundo turno da eleição presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações e apresentaram propostas para áreas como segurança pública, saúde e economia durante o debate da Band, realizado neste domingo (18), a uma semana do segundo turno da eleição presidencial de 2026.

O primeiro confronto direto entre os dois candidatos na televisão foi marcado por referências a investigações envolvendo familiares e aliados, além de divergências sobre a gestão da pandemia de Covid-19, a escala de trabalho 6×1 e o custo de vida. O encontro também teve momentos de tensão entre as comitivas, com discussões que interromperam as considerações finais dos presidenciáveis.

O debate foi promovido pela Band em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e as emissoras Cultura, Gazeta e Jovem Pan.

Flávio chegou aos estúdios por volta das 19h25, acompanhado de aliados, entre eles o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Lula chegou cerca de dez minutos depois, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ex-ministro Fernando Haddad (PT) e das ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet.

Os dois avançaram ao segundo turno após liderarem a votação de 4 de outubro. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula recebeu 45,16%, cerca de 53,8 milhões. A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.

Segurança e economia abrem confronto

No primeiro bloco, os candidatos discutiram maioridade penal e apresentaram propostas para a segurança pública. Flávio prometeu “declarar guerra ao narcoterrorismo”, recuperar territórios dominados por organizações criminosas e criar mais de 500 mil vagas no sistema prisional.

Lula, por sua vez, defendeu o combate ao crime organizado em diferentes níveis e citou a legislação antifacção. O presidente também propôs a criação do Ministério da Segurança Pública.

“Estamos combatendo o crime organizado da esquina ao andar de cima”, afirmou.

Na discussão sobre economia, Lula defendeu medidas para estimular o consumo e citou o papel dos microempreendedores individuais (MEIs) na atividade econômica.

“Fazer o dinheiro circular nas mãos das pessoas”, declarou.

Flávio criticou o endividamento das famílias e os gastos federais. O senador prometeu apresentar medidas para ajudar brasileiros a renegociar dívidas e afirmou que a saída de Lula da Presidência seria necessária para impulsionar o crescimento econômico.

Candidatos trocam acusações sobre familiares

O confronto ganhou tom mais duro quando Flávio questionou Lula sobre Roberta Luchsinger, citada em investigações relacionadas ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

“Roberta fez acusações muito graves. Você tem a oportunidade de esclarecer agora”, disse o senador.

Lula respondeu que a Polícia Federal investigaria o caso e questionou o adversário sobre sua relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Os dois também levaram o confronto para o campo familiar. Flávio chamou Lulinha de “foragido”, enquanto Lula mencionou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos.

“Meu filho irá prestar depoimento e não irá se esconder”, afirmou o presidente.

Lula voltou a cobrar explicações do senador sobre Vorcaro. “Explica a sua relação de amizade”, disse.

Flávio também mencionou a prisão de Lula e apontou para a presença de Sergio Moro e Deltan Dallagnol na plateia.

“Está aqui quem te prendeu”, declarou.

O senador ainda afirmou que 73% dos presidiários teriam votado no petista. Lula respondeu defendendo o direito de participação eleitoral dos presos e provocou o adversário: “Eu quero que todo mundo vote, até seu pai”.

SUS e pandemia provocam divergências

No segundo bloco, a discussão se concentrou na saúde pública e na condução da pandemia de Covid-19. Flávio prometeu levar o “padrão Albert Einstein” ao Sistema Único de Saúde (SUS), com a adoção de prontuário único, telemedicina e inteligência artificial.

Lula questionou se a proposta representaria uma privatização da rede pública e criticou o conhecimento do senador sobre o funcionamento do sistema. A discussão foi interrompida após o presidente reclamar que o adversário estaria zombando dele.

Ao retomar a pandemia, Lula criticou a atuação do governo Jair Bolsonaro durante a crise sanitária, citou o programa Mais Médicos e fez acusações sobre a situação de hospitais federais no Rio de Janeiro.

Flávio reconheceu que a saúde não foi o melhor setor da gestão do pai, mas defendeu a atuação do governo durante a emergência sanitária. Ao rebater as acusações sobre os hospitais, disse que Lula estava “cuspindo mentiras”.

Escala 6×1 e custo de vida entram no debate

A jornada de trabalho também foi tema do confronto. Flávio afirmou ter votado pelo fim da escala 6×1 depois de ouvir trabalhadores, mas defendeu que a mudança seja acompanhada por melhorias na segurança pública e no poder de compra.

“Quero que tenha tranquilidade para sair na rua e encher o carrinho”, declarou.

Lula rebateu que o senador conhece a realidade dos trabalhadores “por literatura” e defendeu os resultados econômicos de seu governo. O presidente também citou os efeitos de conflitos internacionais sobre a inflação e mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na discussão sobre endividamento, Flávio prometeu manter o Bolsa Família e criar o Ministério da Prosperidade. Entre as medidas anunciadas, mencionou a renegociação de dívidas bancárias, com congelamento temporário dos débitos de pessoas físicas e prazo de carência para empresas.

Lula, por sua vez, citou a política de valorização do salário mínimo e as aposentadorias para defender o poder de compra da população.

Corrupção e relação com os Estados Unidos

No terceiro bloco, os candidatos discutiram produtividade, responsabilidade fiscal e corrupção. Flávio defendeu a ampliação do acesso à internet, enquanto Lula citou investimentos em inovação industrial e economia verde.

“É com muita responsabilidade fiscal que vamos cuidar do povo brasileiro”, afirmou o presidente.

Na discussão sobre suspeitas de irregularidades, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico, estendendo a proposta aos familiares dos dois.

“Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família”, declarou.

O senador respondeu que não tinha “absolutamente nada a esconder” e acusou o petista de movimentar recursos fora das próprias contas. Também mencionou supostos recursos relacionados a um filme sobre Lula e ao Instituto Lula.

O presidente acusou a família Bolsonaro de “subordinação” ao governo dos Estados Unidos. Flávio, por sua vez, acusou Lula de defender o PCC e o Comando Vermelho e apresentou uma proposta de monitoramento inspirada no sistema Smart Sampa, utilizado na capital paulista.

Flávio defende redução da maioridade penal

Na discussão sobre segurança pública, o senador defendeu a castração química para estupradores e pedófilos e a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos.

“Estuprador de 14 anos tem que responder como adulto”, afirmou.

Lula citou iniciativas de bloqueio de celulares roubados e voltou a defender medidas voltadas à segurança pública e à proteção da população.

Considerações finais são interrompidas

O encerramento do debate foi marcado por discussões entre as comitivas e interrupções durante as falas dos candidatos.

Lula agradeceu aos brasileiros “pela continuidade da democracia nesse país”. Sua fala foi interrompida por uma discussão depois que Flávio passou atrás dele. Ao retomar, o presidente afirmou ter recuperado a economia e a indústria e acusou o adversário de defender a privatização da Petrobras. Também criticou a privatização da Eletrobras.

Flávio teve a própria fala interrompida por manifestações da plateia e reclamou do barulho antes de continuar.

“Jamais vou prometer o que não posso cumprir”, afirmou o senador, ao defender propostas para a segurança pública e dizer que pretende colocar a população no centro das ações de governo.

O encontro foi o primeiro debate televisivo entre Lula e Flávio neste segundo turno, após o cancelamento ou a ausência dos candidatos em outros confrontos previstos durante a campanha.

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