Com um olhar sensível que atravessa as fronteiras entre a literatura e a psicanálise, a escritora soteropolitana Mariana Rodrigues chega à Bienal do Livro Bahia 2026 com uma provocação importante: a de que a convivência não acontece por acaso, mas é uma construção que deve ser ensinada desde os primeiros anos e celebrada na vida adulta.
Especialista em relações humanas, a autora apresenta uma trajetória que une o acolhimento infantil à potência das alianças femininas.
Recentemente, Mariana lançou o livro “O Amor que Escolhemos: A Força da Amizade Feminina” (Editora Castello). A obra propõe um desvio de rota no cenário onde o romance é vendido como único protagonista da realização feminina.
Nascido de um “deslocamento de eixo” na vida da autora, o livro defende que os vínculos escolhidos são o verdadeiro alicerce da reconstrução de uma mulher. “Compreendi que mulheres fortes não caminham sozinhas”, reflete Mariana. “A amizade feminina raramente ocupa o centro das narrativas, mas é ela que permanece de pé quando todo o resto desmorona.
Essa investigação sobre o que nos une e o que nos sustenta é o fio condutor que Mariana leva para a Bienal do Livro, onde apresenta também o projeto “Vínculos em Formação”.
Através do livro “A Turma do Pátio Colorido”, ela dá voz aos “conflitos invisíveis” da infância – aqueles que brotam silenciosamente no recreio escolar e que, se não mediados, moldam as dificuldades relacionais da maturidade.
A obra aborda como sotaque, aparência e hábitos surgem como motivos de comparação e exclusões sutis, impactando o sentido de pertencimento desde cedo.
A jornada de alfabetização emocional será aprofundada na agenda da autora durante o evento, especialmente no painel “Entre Laços e Limites”, ao lado da advogada criminalista Thaís Bandeira.
O debate conectará as feridas da infância aos silenciamentos e violências naturalizados na vida das mulheres, refletindo sobre como a dificuldade de reconhecer abusos que não deixam marcas físicas está ligada à falta de uma escuta segura e de uma autorregulação desenvolvida precocemente.
Para Mariana, que é musicista pela UFBA, pedagoga e psicanalista, a literatura é o ponto de partida para uma construção coletiva de sentido. Ao integrar palavra e música autoral, ela busca garantir que o cuidado com as relações seja a base para adultos capazes de estabelecer limites saudáveis.
No Centro de Convenções da Bahia, o público poderá mergulhar nessas reflexões que mostram que educar e viver, acima de tudo, é a arte de conviver sem perder a própria voz.
Serviço
Mariana Rodrigues na Bienal do Livro Bahia 2026
Obras em destaque: “A Turma do Pátio Colorido” (Infantil/Convivência) e “O Amor que Escolhemos: A Força da Amizade Feminina” (Ensaios/Memórias).
Local: Centro de Convenções da Bahia – Espaço Escreva, Garota! (C06 Asa A).
Destaques da Programação:
16/04 (18h às 20h): Painel “Laços e Encontros” com Lilian Pitangueira e Lorena Magalhães.
19/04 (18h): Painel “Entre Laços e Limites” com a advogada Thaís Bandeira. Debate sobre silenciamentos, relações e o que as mulheres são ensinadas a suportar.
