Vereador aponta que laudos técnicos autorizam a liberação da maior parte da orla no Subúrbio e denuncia prejuízos a pescadores, marisqueiras e comerciantes com interdição total iniciada em fevereiro.
O vereador de Salvador Palhinha (União Brasil) cobrou publicamente do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) a revisão imediata do fechamento total da Praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. Natural da região, o parlamentar sustentou que os laudos ambientais e os estudos técnicos mais recentes comprovam que a contaminação química ocorrida no local está circunscrita às imediações do terminal portuário, não havendo justificativa plausível para penalizar a cadeia socioeconômica de toda a praia.
Segundo Palhinha, as empresas envolvidas já apresentaram um plano de contingência estruturado para assegurar a liberação segura da faixa de areia e do banho de mar nas áreas livres de resíduos.
“O Inema tem todas as informações para reduzir a área de interdição para apenas as proximidades do porto, já que tecnicamente todos os laudos mostram que a contaminação está restrita a esse local e não afeta o restante da praia. Desta maneira, pescadores, marisqueiras, comerciantes e demais moradores de São Tomé poderiam retomar as suas atividades comerciais e de lazer na área, uma das mais bonitas de Salvador”, afirmou o vereador.
A interdição da Praia de São Tomé de Paripe teve início em fevereiro deste ano, após o aparecimento de manchas atípicas nas cores azul e amarela nas águas próximas ao Terminal Marítimo de Granéis. Na ocasião, o órgão ambiental do Estado determinou o fechamento preventivo de toda a orla e suspendeu as operações da empresa Terminal Itapuã, responsável pelas atividades com fertilizantes na instalação portuária.
As apurações periciais e os laudos laboratoriais subsequentes constataram a presença elevada de cobre e magnésio em amostras de água e em espécies da fauna marinha recolhidas no perímetro. O resultado das análises direcionou as investigações à multinacional Gerdau, que operou com a movimentação desses metais e insumos no terminal até 2022. Diante da gravidade da infração ambiental, o Inema autuou a siderúrgica com a aplicação da penalidade máxima prevista em lei, fixada em R$ 50 milhões.
Para o vereador, a aplicação de sanções administrativas e o curso dos processos de responsabilização penal não devem se sobrepor à subsistência dos trabalhadores da periferia que dependem do turismo e da pesca diária.
“Independente da responsabilização penal, a questão principal me parece clara. O Inema tem todas as informações necessárias para reabrir a maior parte da praia e permitir que a população local volte a ter a sua melhor opção econômica e de lazer. Falta apenas tomar a decisão”, cobrou Palhinha.