Marcos Medrado (PV) revela ter consultado a população sobre o destino de R$ 9 milhões e cita o alto cachê de artistas como Bell Marques para justificar suspensão dos festejos
O prefeito de Valença, Marcos Medrado (PV), confirmou nesta sexta-feira (19) o cancelamento das comemorações de São Pedro de 2026 no município. Em entrevista concedida ao programa Ligação Direta, da rádio Valença FM, o gestor revelou que a decisão foi tomada para evitar um novo endividamento dos cofres públicos e priorizar a continuidade de obras estruturantes na cidade.
Medrado explicou que a administração concluiu recentemente o pagamento de uma dívida milionária e que injetar os mesmos recursos na festa comprometeria o orçamento. “Nós não tivemos o cuidado necessário, eu não tive o cuidado necessário, e esses nove milhões eu acabei de pagar agora, acho que esse mês. Se eu entro com mais nove milhões pra fazer o São Pedro, aí eu mandei fazer uma pesquisa muito, muito reservada”, detalhou o prefeito.
Segundo o mandatário, o levantamento interno indicou que a população preferia ver o dinheiro aplicado em infraestrutura, como o asfaltamento de ruas, pavimentação em bairros como São Roque e Jequiriçá, além da construção de uma ponte orçada em dois milhões e meio de reais. “Todo mundo prefere que continue as obras”, resumiu.
Para ilustrar o impacto financeiro dos festejos, o prefeito utilizou como métrica os cachês cobrados por grandes atrações nacionais. “Mas eu queria trazer Bell ou sei lá dos chicletes aqui, qual é o cachê? Um milhão de reais. Eu acho que uma hora e meia, sei lá, com um milhão de reais, eu faço duas ruas grandes aqui em Valença”, argumentou.
Apesar de reconhecer a natural insatisfação do público que aguardava a tradicional festa junina, Marcos Medrado minimizou possíveis desgastes políticos, demonstrando segurança de que o saldo da decisão será positivo a longo prazo. “Eu tenho certeza que o povo de Valença não tá zangado comigo nem vai ficar zangado. Agora aquele que gosta de festa, como eu gosto de olhar, fica todo triste porque não vai ter, mas é melhor eu fazer a festa que passa, ou melhorar a qualidade de vida das pessoas?”, finalizou.
