Salvador, 05/02/2026 20:35

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Ciro Gomes critica lentidão de obras hídricas e ausência de estratégia para o semiárido durante agenda em Irecê

Foto: Divulgação
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O ex-ministro da Integração Nacional e ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) esteve em Irecê nesta quinta-feira (5), onde participou de um evento promovido pela Fundação Índigo, ligada ao União Brasil. Em entrevista à imprensa, ele relembrou sua atuação no primeiro governo Lula e fez duras críticas à forma como o poder público historicamente trata o semiárido brasileiro, região que definiu como o “polo mais hostil de expulsão de pessoas” em razão da pobreza, apesar de, segundo ele, concentrar enorme potencial de desenvolvimento.

Durante a conversa, Ciro chamou atenção para a lentidão de investimentos estruturantes na Bahia, especialmente na área de recursos hídricos. Para o ex-ministro, empreendimentos considerados fundamentais avançam de forma excessivamente lenta. Ele citou o Canal do Sertão Baiano e o projeto de irrigação Baixio de Irecê, destacando que, mesmo com a conclusão de dois lotes pela iniciativa privada, o projeto ainda depende da execução de outras sete etapas para ser finalizado. Ao abordar a situação do abastecimento, fez um alerta: “Você precisa garantir o abastecimento humano, nem isso está garantido. Uma cidade importante como Irecê sofre de falta d’água para o abastecimento das pessoas”.

Ciro também apresentou números que, segundo ele, demonstram a gravidade do cenário atual. De acordo com o ex-ministro, 65 municípios baianos enfrentam situação crítica provocada pela seca, impactando cerca de 2 milhões de pessoas. Ele comparou a realidade de Irecê com polos irrigados como Petrolina e Juazeiro, que, graças ao uso intensivo de tecnologia, conseguem produzir e exportar frutas para mercados internacionais rigorosos, como o japonês.

Além das questões hídricas, o pedetista criticou a deficiência logística no Oeste da Bahia. Ele apontou o contraste entre a elevada produtividade agrícola de cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras e as dificuldades no escoamento da produção. Segundo Ciro, a dependência de estradas vicinais e a paralisação de projetos ferroviários comprometem o desenvolvimento regional. “Você tem ali um centro-oeste extraordinário escoando a produção por estrada vicinal. E a projeção de uma estrada de ferro, que obviamente deveria ir para Salvador por ser um porto de alto calado como Aratu, está parada”, afirmou.

Para o ex-ministro, a ausência de um planejamento estratégico nacional voltado ao semiárido contribui para a manutenção das desigualdades e impede que a região alcance todo o seu potencial econômico e social.

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