O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, afirmou nesta quarta-feira (17) que o avanço da indústria baiana está diretamente ligado à capacidade do estado de agregar valor às suas riquezas naturais, transformando-as em produtos de maior complexidade.
Ao apresentar as projeções para 2026, Passos anunciou uma nova etapa do CIMATEC, que ampliará sua atuação com a oferta de cursos de graduação em Economia e Administração, voltados à preparação de lideranças para o setor produtivo. Segundo ele, o conceito de investimento precisa ser entendido como um instrumento de impacto social e econômico, e não apenas como um registro financeiro.
A ampliação do CIMATEC marca uma mudança estratégica ao incorporar a formação em gestão ao portfólio tradicionalmente focado em engenharia e arquitetura. A iniciativa busca suprir uma carência histórica de lideranças preparadas para conduzir processos de inovação e tomada de decisão no ambiente industrial.
Essa nova fase inclui a criação de uma Escola de Negócios com foco em liderança industrial, além da continuidade dos investimentos nas unidades do SESI, SENAI, IEL e do próprio CIMATEC, fortalecendo a integração entre educação, tecnologia e indústria.
Agregar valor para gerar desenvolvimento
Outro ponto enfatizado por Carlos Henrique Passos foi a necessidade de romper com o modelo econômico baseado majoritariamente na exportação de matérias-primas. Para ele, a elevação da renda média da população passa pela construção de cadeias produtivas mais completas dentro do próprio estado.
“O grande desafio da Bahia é criar uma complexidade econômica. Não podemos ficar contentes em apenas extrair minério e exportar, ou plantar algodão e soja e mandar para fora. É preciso fazer o processo de transformação industrial dessas riquezas,” afirmou o presidente.
Interior forte e com mais valor agregado
Apesar da expectativa de que aproximadamente 70% dos novos empregos industriais sejam gerados no interior da Bahia, Passos destacou que a maior parte da riqueza do setor ainda está concentrada na Região Metropolitana de Salvador, onde se localizam atividades industriais mais complexas.
Para reduzir essa desigualdade, a proposta é estimular a instalação de indústrias capazes de agregar valor próximo às áreas produtoras de matéria-prima, elevando a qualificação dos postos de trabalho e os níveis salariais fora da capital.
“O desafio é levar essa complexidade para o interior do estado, para que o interior use sua riqueza para criar mais valor, inclusive nos empregos que são gerados lá,” concluiu Carlos Henrique Passos.
