O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, participou nesta quarta-feira (17) da apresentação das projeções para a indústria e chamou atenção para os desafios que a Reforma Tributária trará ao estado nos próximos anos. Segundo ele, a redução gradual dos benefícios fiscais a partir de 2027 e 2028 exigirá da Bahia uma nova estratégia para manter e atrair investimentos.
Na avaliação do dirigente, os incentivos atualmente funcionam como um mecanismo de compensação das desigualdades regionais. No entanto, Passos ressaltou que essa não pode ser uma solução permanente, defendendo a necessidade de enfrentar as fragilidades estruturais que encarecem a produção no estado.
Educação como base do desenvolvimento industrial
Ao mencionar um encontro recente no Ministério Público que discutiu alfabetização, o presidente da FIEB destacou a relação direta entre educação e competitividade industrial. Ele apontou como alarmante o índice de apenas 36% das crianças alfabetizadas na idade adequada e defendeu avanços urgentes nesse indicador.
Além da educação básica, Passos ressaltou a importância de investir na formação avançada, com estímulo à qualificação técnica, à pós-graduação e à produção científica dentro do ambiente industrial. “Se melhorarmos o percentual de alfabetização, já seria uma grande conquista. Precisamos de doutores e mestres para ter mais pesquisa; tudo isso são fatores que têm a ver com o desenvolvimento da indústria,” afirmou.
Indústria em um cenário sem incentivos
Dados de uma pesquisa recente realizada pela FIEB com grandes empresas industriais mostram preocupação com o período de transição da Reforma Tributária. Para Carlos Henrique Passos, o foco do estado deve estar na redução dos custos estruturais que afetam a competitividade da Bahia.
Entre os pontos considerados prioritários estão os investimentos em infraestrutura logística, com estradas, portos e oferta de energia mais eficientes, além do fortalecimento da segurança pública, fator cada vez mais relevante para a permanência das grandes indústrias. Educação e saúde também foram citadas como elementos essenciais para garantir uma força de trabalho qualificada e produtiva.
Construção de um ambiente sustentável para investimentos
Na visão do presidente da FIEB, o futuro da indústria baiana depende da superação dos desequilíbrios históricos que hoje são parcialmente compensados pelos incentivos fiscais. O objetivo, segundo ele, é tornar o estado atrativo pela qualidade do ambiente econômico e social que oferece.
“Viver sem esses contrapontos do benefício tributário exige resolver a causa. E a causa se resolve sanando problemas como infraestrutura, educação, saúde e segurança. Este trabalho já apontou que grandes empresas têm essa preocupação,” concluiu Carlos Henrique Passos.
