O pré-candidato ao governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, foi o primeiro postulante ao Palácio de Ondina a registrar a candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também o primeiro a disponibilizar oficialmente o plano de governo para o estado. O documento, intitulado “Diretrizes para o Programa PSOL para governar a Bahia”, foi apresentado à sociedade baiana no início de julho de 2026 e propõe uma ruptura com o que a legenda chama de “ciclo petista” e com o “carlismo”, que governa a Bahia há mais de cinco décadas.
O programa de governo do PSOL-REDE tem como eixos centrais o desenvolvimento sustentável, a segurança pública, a saúde, a educação, o combate à fome, a reorientação das prioridades do Estado e a ampliação da participação popular. O texto parte de um diagnóstico crítico da atual gestão de Jerônimo Rodrigues (PT) e das administrações anteriores ligadas ao grupo de ACM, apontando estagnação econômica, violência e desigualdade social como marcas do estado.
Economia e desenvolvimento
No campo econômico, a proposta defende a moratória negociada da dívida da Bahia com a União como forma de liberar recursos para investimentos. O plano prevê a reorientação das transações comerciais para fortalecer o mercado interno, ampliar as relações com o Nordeste e com as regiões Norte e Centro-Oeste, além de abrir novos canais de comércio com a África e com países da América do Sul, como Venezuela e Colômbia.
Entre as medidas propostas estão: a criação de um Conselho de Desenvolvimento Solidário, Sustentável, Comunitário, Ambiental e Holístico; a revitalização de zonas comerciais e industriais com incentivos fiscais; e o estímulo a redes de permutas, economia solidária e cooperativas. O programa também critica o modelo de turismo atual e propõe a articulação de um “pool turístico do Nordeste” para disputar melhores posições no mercado nacional e internacional.
Segurança Pública
O plano de governo propõe a superação do modelo militarizado de segurança, defendendo a desmilitarização das polícias e a adoção de uma política de “segurança cidadã”. Entre as propostas estão: investimento em políticas sociais de prevenção ao delito com foco em jovens das periferias; fortalecimento das ouvidorias e corregedorias externas; criação de uma política pública integrada de apoio psicológico e indenização às vítimas de violência de Estado; e a regulamentação do uso medicinal e recreativo da cannabis.
O documento também critica a “guerra às drogas” e a alta letalidade policial, destacando que a Bahia ocupa o 2º lugar no ranking nacional de mortes por forças policiais, com 40,6 mortes por 100 mil habitantes.
Educação e Saúde
A educação é tratada como prioridade, com ênfase no combate ao analfabetismo e na valorização dos profissionais da área. O programa defende o cumprimento do piso salarial nacional do magistério, a ampliação de vagas em creches, a universalização do ensino fundamental e médio, e a implementação de processos de escolha democrática para diretores de escolas.
Na saúde, o PSOL-REDE reafirma a defesa do SUS público, estatal e descentralizado, propondo a expansão da Atenção Básica com equipes multiprofissionais, a efetivação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e a garantia de 5% do orçamento federal para a assistência social.
Reparação social e direitos humanos
O programa assume o compromisso com a reparação histórica às populações indígenas e afrodescendentes, propondo políticas públicas transversais que incluam a legalização de terras e o apoio a comunidades quilombolas e nações nativas. O documento também defende a descriminalização do aborto, políticas de enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia, além da ampliação de direitos para a juventude, com foco no combate ao genocídio da juventude negra.
Gestão e participação popular
O plano prevê a criação de conselhos quadripartites (com participação do Estado, empresários, trabalhadores e organizações populares) para a definição de políticas públicas. O programa também defende a independência entre os poderes, o fim do nepotismo e da corrupção, e a ampliação dos mecanismos de participação direta da população, como plebiscitos e consultas populares.
O candidato Ronaldo Mansur, em carta à população baiana, afirmou que o programa “dialoga com a nossa história, com o possível cenário nacional de reeleição de Luís Inácio Lula da Silva e com o complexo cenário mundial”, mas ressalta que a vitória de Lula deve ser acompanhada pela eleição de governadores e deputados do campo progressista, sob risco de inviabilizar a reconstrução do país.
Leia documento na íntegra: