O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), voltou a responsabilizar o governo da Bahia por entraves na entrega de um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida e criticou a tentativa, segundo ele, de atribuir à prefeitura a culpa pelo atraso. O episódio ocorreu durante agenda com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na capital baiana.
Ao comentar o impasse envolvendo a emissão do “Habite-se”, o prefeito afirmou que houve falhas no cumprimento de prazos por parte da gestão estadual, liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), e reagiu às críticas recebidas.
“Eles não entregaram o empreendimento ‘Minha Casa, Minha Vida’ porque se atrasaram, não cumpriram a agenda. E aí penalizar a prefeitura, em especial o prefeito, isso é deslealdade. Sempre que houver isso eu vou reagir. Eles não entregam os documentos no tempo correto para começar as obras e nunca isso foi impeditivo”, disse.
A declaração foi feita durante a abertura da Bienal do Livro da Bahia, realizada no Centro de Convenções, no bairro da Boca do Rio, em Salvador. Na ocasião, Bruno Reis também citou outros projetos de infraestrutura para reforçar as críticas ao governo estadual.
“[O metrô] até o Campo Grande, que eles foram iniciar no mesmo dia, também não tinha alvará para obra, porque eles não entregaram a documentação completa. É porque se atrasaram”, afirmou.
Segundo o prefeito, a própria prefeitura teria sinalizado que a entrega do conjunto habitacional poderia ocorrer mesmo com pendências formais, a fim de evitar prejuízos às famílias beneficiadas.
“O ‘Minha Casa, Minha Vida’, que eles não entregaram a documentação. A prefeitura disse que mesmo assim poderia ser entregue para não penalizar as pessoas, não mexer com os sonhos e expectativas das pessoas. A gente sabe a importância da casa própria para a pessoa. Aí diz que a culpa é da prefeitura, mas tem limite”, declarou.
Bruno Reis classificou a postura do governo estadual como “desleal” e afirmou que a prefeitura tem priorizado projetos considerados estratégicos, inclusive em parceria com outras esferas de governo.
“Eles não preenchiam os requisitos e as formalidades legais. Foi dito a eles que eles poderiam entregar a obra por se tratar de uma obra executada em parceria com o Governo do Estado e o Governo Federal. Então sempre foi dado aos empreendimentos, a projetos de Estado, prioridade máxima da prefeitura”, disse.
O prefeito também afirmou que a tentativa de responsabilizar o município ultrapassa os limites do embate político. “Querer buscar justificativas para seu atraso transferindo responsabilidade para os outros… aí não dá. Isso está fora do jogo das quatro linhas normais que podem ter numa disputa eleitoral”, concluiu.
