O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), acusou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), de agir com “canalhice” ao responsabilizar a prefeitura pelo adiamento da entrega das chaves do Residencial Zulmira Barros, empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida. A agenda estava prevista para o último dia 2 de abril, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista à rádio Sociedade, nesta quarta-feira (15), Bruno Reis afirmou que o governo estadual tenta transferir responsabilidades por falhas administrativas e ausência de documentação. “Isso, desculpa, é deslealdade, é canalhice, dizer que a culpa é da prefeitura”, declarou. Ele também criticou adversários políticos ao dizer que “se acham acima do bem e do mal” ao desconsiderar exigências legais.
O prefeito sustentou que a gestão municipal não tem criado obstáculos a projetos do governo do estado e citou outras intervenções realizadas em Salvador. “Todas as obras e equipamentos do governo do Estado, nenhum teve por parte da prefeitura qualquer atraso. Inclusive nunca foi impeditivo para iniciar ou inaugurar obra o fato de ter ou não o alvará, de ter ou não o habite-se”, afirmou.
Ao rebater declarações do governador, Bruno disse que o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Sosthenes Macêdo, havia autorizado a entrega das unidades habitacionais mesmo diante de pendências formais. Segundo ele, a indefinição política na base estadual teria influenciado o adiamento do evento.
“Mesmo assim, Sosthenes disse a Afonso Florence [secretário da Casa Civil] que as casas poderiam ser entregues. Aí eles ficaram quarta-feira [1º] até tarde da noite no Palácio de Ondina, fecha chapa, não fecha chapa, quem vai ser o vice… No outro dia, quem estava chateado não foi participar do evento porque não tinha definido a vice. Eles se atrasam, mexem com o sentimento das pessoas, e aí vem dizer que a culpa é da prefeitura. Peraí meu irmão, paciência tem limite”, disse.
Bruno Reis também questionou a demora na entrega das moradias às famílias beneficiadas e cobrou uma solução imediata. “Entrega as casas, porque não entrega? Porque agora quer marcar outro ato político para aparecer? Entregue logo a chave das pessoas. A prefeitura já disse que podia ser entregue. Assuma a responsabilidade e não transfira para terceiros. É um governo incompetente, com uma equipe incompetente, que não preenche as formalidades legais.”
