Governador repudiou perseguição patronal a funcionários por razões partidárias e defendeu que força de mobilização popular garanta governabilidade no Congresso.
A superação do esgarçamento social decorrente da polarização política foi apontada pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), como o maior desafio moral do presidente Lula em seu quarto mandato. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (4), o petista alertou para o risco de divisões permanentes no tecido comunitário e pediu a pacificação das relações cotidianas entre os cidadãos.
Jerônimo relatou preocupação com a hostilidade observada em templos religiosos e ambientes de trabalho. “O Brasil é um só, não existem duas bandeiras nem dois países! Fico muito magoado quando vejo famílias rompidas ou igrejas evangélicas divididas por disputa partidária. A igreja existe para confortar o espírito e levar a palavra de Deus, não para alimentar disputas políticas. Da mesma forma, é inaceitável patrão demitir trabalhador por causa de voto: ele é dono do capital, não da consciência do empregado!”, desabafou.
O governador frisou que o governo eleito deve estender a mão aos setores divergentes sem perder o apoio popular das ruas. “A vitória nos impõe o dever de dialogar. O Congresso terá correlação de forças complexa com o centrão e a oposição. Por isso, a mobilização da sociedade civil precisa continuar ativa, defendendo saúde, educação e cultura para sustentar a governabilidade em favor do povo”, concluiu.