A cerimônia de entrega das chaves do Palacete Saldanha, realizada nesta sexta-feira (16), na Praça da Sé, em Salvador, marcou o início do processo de instalação de uma nova unidade da CAIXA Cultural na capital baiana. O evento reuniu a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o presidente da CAIXA, Carlos Vieira, além de outras autoridades.
Durante a agenda, o governador destacou os impactos negativos sofridos pelo setor cultural nos últimos anos e atribuiu ao ex-presidente Jair Bolsonaro a responsabilidade pelo enfraquecimento das políticas públicas voltadas à área.
“O ex-presidente Jair Bolsonaro destruiu a estrutura e tirou orçamento. Então foi preciso que o presidente Lula resgatasse o Ministério. E agora, de forma responsável, estamos colocando a cultura no eixo, organizando um sistema nacional e vendo o que é que os estados têm por obrigação de cuidar dentro das leis”, disse.
Jerônimo avaliou que os prejuízos para a cultura foram além da redução de investimentos, atingindo diretamente a capacidade de gestão do setor. “Não foi só parar de investir: foi além de não colocar orçamento, foi destruir, por exemplo, o Ministério. Ou seja, cortaram a cabeça da cultura, que é o órgão gestor e organizador”.
Na avaliação do governador, a ausência de coordenação federal compromete a atuação dos estados. “E os estados, quando não têm a nação, quando não têm o governo federal organizando, acabam fazendo o que querem, sem que a gente possa ter uma orquestra”.
Ele também criticou a visão de que os recursos destinados à cultura representam um gasto excessivo. “A ministra Margareth, essa semana, postou uma foto com o chapéu, fazendo a matemática financeira da cultura. E às vezes, ninguém quer fazer isso. Porque a cultura é sempre vista como despesa, como uma coisa cara”.
Na sequência, reforçou a importância estratégica do setor para a sociedade. “A cultura é cara? Olha, caro é um povo sem cultura. E nós ficamos, além de tudo, num período em que não tivemos nenhum tipo de investimento na cultura brasileira”.
Jerônimo citou ainda a retomada de iniciativas federais voltadas à reorganização institucional e ao fortalecimento do orçamento da área. “Aqui nós temos deputados federais, deputados estaduais e senadores que organizam uma lei. E o Lula disse que vai colocar a cultura no orçamento”.
Sobre a instalação da nova unidade da CAIXA Cultural em Salvador, o governador afirmou compreender a existência de equipamentos da instituição em outros estados, mas destacou a expectativa de avanço do projeto na Bahia.
“A Caixa tem outros equipamentos de cultura fora da Bahia, eu entendo isso. Mas o nosso desejo era que pudéssemos inaugurar esse prédio, esse equipamento, ainda este ano”, afirmou.
Segundo Jerônimo, a entrega do espaço ocorrerá de forma gradual. “Nós combinamos que a entrega vai ser faseada: primeira fase, segunda fase, terceira fase. A Caixa já integra isso nesse desenho. Mas o importante é que nós estamos retomando esses equipamentos físicos da Bahia”.
Ao ampliar a reflexão, o governador ressaltou que a valorização do patrimônio cultural vai além da capital. “Esse patrimônio que nós temos aqui, por exemplo, não é só aqui em Salvador. Vai de Cachoeira, vai de Santo Amaro, de Lençóis… Existem equipamentos espalhados por toda a Bahia — e no Brasil também”.
A solenidade no Centro Histórico simboliza uma nova etapa para o Palacete Saldanha, agora destinado à CAIXA Cultural Salvador, em um contexto de retomada de investimentos e reorganização das políticas culturais no país.

