O deputado estadual Bobo Tavares (PCdoB) criticou duramente, nesta segunda-feira (8), a condução do processo que trata da perda de mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Câmara dos Deputados. Em vídeo divulgado nas redes, ele classificou como “absurdo” o parecer do relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), que recomendou a manutenção do mandato da parlamentar mesmo após condenações definitivas.
Bobo Tavares afirmou que o caso representa uma distorção do papel institucional da Casa. “É revoltante o que está acontecendo na Câmara dos Deputados em Brasília. O Brasil inteiro acompanhou. Carla Zambelli foi condenada, sem direito a recurso, em duas ações graves, com pena de prisão, perda dos direitos políticos e perda do mandato. Mesmo assim, o relator apresentou um parecer para que ela continue exercendo o mandato. Que gentileza, não é? Como se nada disso tivesse acontecido”, disse.
Para ele, a decisão afronta diretamente o ordenamento jurídico. “A Constituição é clara: parlamentar condenado com sentença transitada em julgado perde o mandato. Simples assim. Não tem que ter interpretação criativa, jeitinho ou blindagem política. A lei tem que valer para todos.”
O deputado afirmou que o movimento para preservar o mandato de Zambelli transforma a Câmara em um espaço de proteção para parlamentares que cometeram crimes. “O que estão tentando fazer agora é transformar a Câmara no abrigo para quem comete crimes”, declarou.
Tavares citou as acusações que levaram às condenações da deputada — perseguição armada em São Paulo e participação em um esquema de falsificação de documentos contra o ministro Alexandre de Moraes (STF). “Isso fere a democracia, fere o Estado de Direito. O Parlamento não pode fechar os olhos para crimes tão graves.”
“Inaceitável” e “vergonha nacional”, diz deputado
O deputado estadual afirmou que o episódio envergonha o país e enfraquece as instituições democráticas. “Isso destrói o decoro, enfraquece as instituições e envergonha o nosso país. O Brasil precisa que a Câmara volte a ser a casa do povo, não um refúgio para quem ataca a Justiça e coloca a democracia em risco.”
Ele reiterou que a resposta deve ser institucional. “O mínimo que se espera é respeito à lei e responsabilidade com o mandato que cada um recebeu.”
Ao final, Tavares defendeu que o Parlamento não pode se esconder atrás de discursos de perseguição política para driblar decisões judiciais transitadas em julgado.
“O povo brasileiro tem o direito de cobrar, tem o direito de se indignar. E nós parlamentares temos o dever de defender a democracia, não de proteger quem a ameaça”, afirmou.
Segundo ele, a pressão deve continuar até que a Câmara vote pela perda de mandato. “Seguiremos vigilantes. E vamos continuar cobrando que a Câmara tome a decisão correta, cumpra a Constituição e respeite o que diz a Justiça.”
