O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) até esta segunda-feira (29), afirmou que deixar a Corte é uma possibilidade, mas não uma certeza. A declaração foi dada em entrevista concedida a Folha de São Paulo na última semana de seu mandato à frente do tribunal, marcada por balanços, reflexões e relatos pessoais. A partir de agora, o comando do STF será assumido pelo ministro Edson Fachin.
Barroso se emocionou diversas vezes ao avaliar seus dois anos na presidência do Supremo e evitou restringir o balanço à gestão administrativa. Ele revisitou episódios de sua trajetória na Corte, incluindo a Lava Jato e a decisão de 2018 que contribuiu para a prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, não há arrependimento. “Cumpri o dever de aplicar a ele o que havia aplicado a outras pessoas”, disse.
O ministro afirmou que, apesar do episódio, a relação com Lula foi reconstituída ao longo do tempo, a ponto de alcançar até familiares. Ele ressaltou que nunca conversou com o petista sobre aquele momento. “O presidente é um homem que já esteve tempo suficiente no sereno para entender o papel de um juiz”, afirmou.
Sobre Jair Bolsonaro (PL), Barroso disse ter mantido cordialidade no início do governo e relatou que chegou a indicar um nome para o então presidente nomear como ministro, mas o ex-mandatário acabou escolhendo outro.
O magistrado também criticou a discussão de anistia para condenados antes e logo após julgamentos do STF, mas defendeu que uma eventual redução de penas poderia ser considerada.
Barroso revelou ainda que já conversou com Lula sobre a possibilidade de sua saída da Corte, embora não haja decisão tomada. Questionado sobre eventual sanção com base na chamada Lei Magnitsky — já imposta ao ministro Alexandre de Moraes —, ele disse que a hipótese não influencia em sua permanência.
“Não tenho muitos medos nessa vida nem aflições excessivas. O que não quer dizer que as coisas me são indiferentes”, afirmou.
