A confirmação da BaianaSystem como atração do Camarote Salvador no Carnaval de 2026 provocou uma onda de críticas ao grupo. O anúncio teve ampla repercussão e reacendeu discussões nas redes sociais sobre as escolhas e o posicionamento político-cultural da banda.
O tema foi abordado nesta quinta-feira, 22, durante uma coletiva de imprensa. Questionado sobre como dialogar com o público que acompanha o grupo desde o início — historicamente identificado com seus discursos — ao mesmo tempo em que a banda passa a ocupar espaços tradicionalmente mais elitizados, o vocalista Russo Passapusso afirmou que encara a experiência como “um laboratório”.
“É uma questão de tocar em todos os lugares. A gente teve a proposta da Billboard de tocar dentro do festival. Eu sabia que eles queriam fazer como um festival esse processo do camarote. Entendemos o território que a gente vai tocar, mas a gente tem shows temáticos”, explicou.
Russo destacou que cada apresentação da BaianaSystem é pensada de acordo com o contexto e que o show no camarote também seguirá essa lógica, funcionando como uma forma de comunicação. “A gente toca na Ilha Itaparica com um show chamado Samba Aqui. Tocamos no Memorial da América Latina, onde vamos fazer o Baile Pirataria. E nesse território do Camarote Salvador, a gente também tem um show especial para fazer, com uma mensagem especial. É muito importante a gente estar ali com Lazzo [Matumbi], com Olodum. É muito importante saber que tem DJs pretos que vão tocar nesse espaço”, afirmou.
Na sequência, o cantor reforçou que a ocupação desses ambientes faz parte de um processo de experimentação artística. “E a gente pensa muito nisso, na ocupação. E é um laboratório. A gente não está certo, a gente não está errado, a gente está experimentando a nossa música em vários lugares. Eu entendo também as reflexões do público e quero agradecer”, disse.
Encerrando o assunto, Russo Passapusso afirmou que a banda está atenta às críticas e confiante de que conseguirá manter a coerência de sua mensagem, mesmo em um espaço como o Camarote Salvador.
“Ouvimos isso e a gente é feito disso. Inclusive, a gente também se autocritica. Antes de a gente ouvir o que o público acha, a gente também já está se gritando na frente do espelho. Vamos ver no que é que vai dar. E a mensagem está feita e queremos ecoar cada vez mais. A gente sabe o que temos que fazer para que um show lá ecoe com uma mensagem condizente ao tipo de território que vai ser o Camarote Salvador”, finalizou.
