Quando alguém está com problemas de saúde, vai ao médico; com problemas na justiça, procura um advogado; sente fome, busca algo para comer — e assim por diante. Observe que, em todas essas situações, a pessoa age. O mesmo princípio se aplica à vida política, embora ainda persista o mito de que a política é um espaço reservado apenas aos “manda-chuvas”.
Tudo em nossa vida gira em torno das decisões tomadas nos espaços representativos de poder. Porém, esquecemos um detalhe importantíssimo: a nossa participação. Assim como um médico não pode realizar os encaminhamentos adequados se você não expressar o que sente, os representantes políticos não atenderão às necessidades da sua rua ou comunidade se você não participar, cobrar e pressioná-los.
A cultura popular, por meio de ditos e crenças limitantes — como “política é lugar de gente que não presta” ou “política não se discute” —, contribuiu para o afastamento da população dos espaços onde são construídas as soluções para os problemas coletivos. O resultado dessa mentalidade é a falta de participação popular, o que enfraquece a democracia e agrava as dificuldades cotidianas.
Estar ausente e alheio ao que acontece na política do seu município, estado ou país significa, na prática, negligenciar seus próprios direitos. As consequências podem ser graves: salários atrasados, falta de medicamentos, ruas sem manutenção e serviços públicos ineficientes — tudo isso impacta diretamente a qualidade de vida da população.
Assim, estar ausente da política é como marcar uma consulta médica e esperar pelo diagnóstico sem sequer comparecer ao consultório.
