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Audiência sobre o caso Davi Fiúza será realizada em Salvador após quase 12 anos sem respostas

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Mais de dez anos depois, o Estado brasileiro ainda não apresentou respostas concretas para o caso

Nesta segunda-feira, 25 de maio, às 8h, acontece, no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana, mais uma audiência relacionada ao caso de Davi Fiúza, jovem negro desaparecido desde 2014 após ser levado por policiais militares no bairro de São Cristóvão. Passados quase 12 anos, o Estado brasileiro ainda não apresentou respostas concretas sobre o paradeiro do jovem, não responsabilizou os envolvidos e tampouco garantiu à família o direito ao luto, à verdade, à justiça e à reparação.

O caso é marcado por uma série de falhas institucionais. O reconhecimento do ocorrido como desaparecimento forçado se deu de forma tardia, contrariando recomendações internacionais. As buscas iniciais demoraram meses para serem iniciadas e, quando ocorreram, não seguiram um planejamento estruturado, com ausência de coordenação e participação da família, elementos considerados fundamentais em protocolos internacionais. Ao longo dos anos, a investigação também foi atravessada por períodos de inatividade, atrasos sem justificativa e falta de transparência sobre os rumos do caso. Até hoje, não houve resultados concretos que esclareçam o que aconteceu com Davi.

No centro dessa história está a mãe do jovem, Rute Fiúza, que convive há quase 12 anos com a dor da ausência e da incerteza. “Arrancaram de mim o direito mais básico de uma mãe, que é saber onde está o seu filho. Eu vivo há mais de dez anos nessa tortura, sem resposta, sem verdade, sem poder sequer viver o meu luto. Não é só a ausência de Davi que dói, é o silêncio, o descaso, é sentir que a vida do meu filho não importa. Mas eu sigo lutando, porque eu não posso e não vou aceitar que a história dele termine assim, sem justiça”, desabafa Rute, que hoje coordena o movimento Mães de Maio da Bahia.

Desde 2014, o caso é acompanhado pelo Comitê de Desaparecimento Forçado da ONU, após denúncia da Anistia Internacional. Ao longo desse período, o Estado brasileiro foi reiteradamente questionado e apresentou respostas consideradas insuficientes.
Para organizações de direitos humanos, o caso revela um padrão mais amplo. “Não se trata de falhas isoladas, mas de um padrão de funcionamento que evidencia desigualdade racial no acesso à justiça. Há demora, falta de prioridade e ausência de responsabilização quando as vítimas são jovens negros”, afirma Sara Sacramento, assessora de Advocacy da Iniciativa Negra.
Ainda segundo ela, a demora em apresentar respostas aprofunda o sofrimento das famílias e compromete a própria efetividade das investigações. “Justiça, nesse caso, significa dizer o que aconteceu com Davi, responsabilizar os envolvidos e garantir à família o direito à verdade. O que vemos hoje é a continuidade de uma violência que não terminou em 2014”, completa.

A diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, destaca que é dever do Estado prevenir desaparecimentos forçados, conduzir investigações rápidas e independentes, responsabilizar os autores e garantir às famílias o direito à informação, à participação e à reparação. “O que aconteceu com Davi não diz respeito apenas a uma família. Diz respeito ao tipo de país que estamos permitindo construir quando um adolescente negro desaparece após ser levado por agentes do Estado e, mais de dez anos depois, sua mãe ainda segue sem respostas. Dona Rute não deveria carregar sozinha essa espera, essa dor e essa incerteza. O caso de Davi Fiuza é um retrato cruel de como a violência de Estado racista atinge as famílias negras no Brasil. Enquanto não houver verdade e responsabilização, essa ferida continua aberta para toda a sociedade”, conclui Jurema.

Serviço:
Audiência Caso Davi Fiúza
Local: Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana, Salvador.
Horário: 8h

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