Vereadora destacou dados do Portal da Transparência sobre repasses à MM Limpeza Urbana e defendeu rigor na fiscalização dos serviços de coleta na capital.
Em pronunciamento realizado em Salvador nesta segunda-feira (17 de agosto), a vereadora Marta Rodrigues (PT) defendeu o aprofundamento das apurações sobre os contratos de limpeza urbana no município, após a divulgação do indiciamento do empresário José Marcos de Moura pela Polícia Federal. A parlamentar afirmou que o avanço das investigações torna indispensável a prestação de contas sobre a execução dos serviços e os repasses financeiros realizados pela administração municipal.
Com base em registros extraídos do Portal da Transparência, a vereadora apontou que a empresa MM Limpeza Urbana, vinculada a Moura, registrou o recebimento de R$ 47,8 milhões em empenhos da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) ao longo de 2026. A prestadora atua nos contratos de coleta da capital desde 2018, acumulando pagamentos que chegam a cerca de R$ 238,4 milhões no intervalo entre 2023 e 2026.
“Temos um empresário indiciado pela Polícia Federal, quase R$ 48 milhões pagos pela Prefeitura somente neste ano e contratos que atravessaram diferentes gestões. É preciso explicar quem contratou, quem recebeu, quem fiscalizou e por que essa engrenagem continuou funcionando”, declarou a vereadora, cobrando que os órgãos de controle analisem a conformidade de todos os procedimentos administrativos.
Marta Rodrigues também citou a presença anterior do empresário no diretório nacional do União Brasil e relembrou desdobramentos da Operação Overclean envolvendo o ex-secretário municipal Bruno Barral. Em sua avaliação, o debate sobre a coleta de resíduos deve ser integrado às discussões jurídicas que envolvem o Aterro Metropolitano Centro, cuja proposta de prorrogação contratual estimada em R$ 2,67 bilhões, apresentada em 2025 sem novo processo licitatório, teve seus efeitos suspensos pela Justiça em junho.
“De um lado, contratos de coleta que continuam sendo pagos; do outro, uma tentativa de renovar por mais 20 anos um contrato bilionário de aterro sem nova licitação. A Justiça precisou intervir. Estamos falando de muito dinheiro público e tudo isso precisa ser colocado às claras”, finalizou a parlamentar, ressaltando que o Legislativo municipal acompanhará os desdobramentos dos inquéritos federais.