O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) subiu o tom contra a condução econômica do governo federal durante entrevista ao programa Vem Que Tem, da Rádio Sociedade. Ao analisar o cenário inflacionário no país, o parlamentar minimizou as estatísticas oficiais e fez menção direta a uma das principais promessas de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT): o retorno do consumo de carne bovina no orçamento popular.
Para o senador, os indicadores de inflação apresentados pelas agências governamentais falham ao tentar capturar o impacto real dos preços nas gôndolas dos supermercados.
“Ah, não tem inflação? A inflação é 4% ou 5%? Isso é inflação medida oficialmente para fazer alguns reajustes”, declarou Coronel. “No dia a dia, a gente sabe que o tomate esta semana é um preço, na semana seguinte ele pode estourar”.
O distanciamento entre índices e o carrinho de compras
O senador argumentou que a corrosão salarial é percebida diretamente na rotina dos consumidores, que estariam enfrentando perdas contínuas no poder de compra de um mês para o outro.
- Tomate e Alimentos: Citados pelo parlamentar como exemplos de produtos com alta volatilidade que afetam a percepção do custo de vida.
- Carne versus Picanha: De acordo com o senador, embora as proteínas em geral tenham apresentado estabilização em algumas praças, os cortes nobres permanecem fora do alcance da maioria.
‘A picanha não chegou’
Em tom de ironia, Coronel utilizou o prato que virou símbolo do discurso eleitoral petista para ilustrar o descompasso entre a retórica do governo e as condições materiais da população.
“A picanha, que muita gente pregou que todos nós íamos comer picanha, que o povo brasileiro agora ia ter picanha na mesa… O negócio é que a picanha não chegou”, ironizou o senador durante a entrevista. “Por enquanto, está chegando o músculo, a carne de pescoço, porque a picanha até agora não chegou”.
A postura do parlamentar aponta para um posicionamento mais crítico e independente em relação à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, usando a sensibilidade popular sobre os preços dos alimentos para marcar distância da narrativa oficial sobre a recuperação econômica do país.