O senador Angelo Coronel (Republicanos) afirmou enxergar um desejo latente de alternância de poder na Bahia para o pleito deste ano e estabeleceu uma correlação histórica baseada em ciclos políticos de 20 anos no estado. A declaração foi feita em entrevista ao programa Vem Que Tem, da Rádio Sociedade.
O parlamentar relatou impressões colhidas em suas recentes agendas pelo interior baiano, citando uma viagem ao município de Conceição do Coité. Segundo Coronel, conversas com prefeitos, vereadores e lideranças locais evidenciam um sentimento comum.
“O que a gente sente é o desejo da mudança”, declarou o senador. “Não é porque o atual governador seja ruim ou seja bom. Eu acho que todos têm suas virtudes, seus méritos, como também têm seus deméritos, é natural isso”.
O Ciclo dos 20 Anos
Para justificar sua tese, Angelo Coronel recorreu à história política recente da Bahia, apontando que as grandes reviravoltas governistas no estado têm ocorrido em intervalos precisos de duas décadas:
- 1986: Vitória de Waldir Pires, que interrompeu uma hegemonia de quase 20 anos do carlismo.
- 2006: Eleição de Jaques Wagner (PT), que encerrou um novo ciclo de duas décadas do mesmo grupo político anterior.
- 2026: Prazo que, sob a ótica da premissa dos ciclos apresentada pelo senador, representaria o momento de uma nova transição.
“Se você fizer a conta com mais 20 anos, daria 2026, é a mudança. Então, se a gente for usar essa premissa, usar essa premonição do ciclo, é a cada 20 anos. Então, a gente sente isso”, argumentou.
Limites do Maquinário Partidário e a Era Digital
O senador também fez ponderações sobre o peso real das estruturas partidárias tradicionais em campanhas modernas. Embora reconheça prefeitos e vereadores como os “grandes eleitores” nos municípios, Coronel alertou que o controle sobre o voto caminha para dinâmicas diferentes devido à inclusão digital e à capilaridade dos smartphones, mesmo nas regiões mais vulneráveis.
“Não adianta só contabilizar que tem 90% dos prefeitos”, pontuou. “Tem hora que o prefeito e o vereador não têm condições de mudar o voto. Hoje, depois do advento da rede social, é difícil você controlar”.
De acordo com o parlamentar, o acesso à informação em tempo real no interior confere maior autonomia ao eleitorado, que passa a balizar suas escolhas não apenas pela pressão das lideranças locais, mas também pelo noticiário e conteúdos consumidos diretamente nas plataformas digitais.