Senador criticou a aprovação relâmpago da matéria na Câmara e afirmou que o projeto só avançará no Senado após debate “à exaustão” com empresários
A proposta que reduz a jornada de trabalho e elimina a escala 6×1 não deve avançar no Senado antes das eleições municipais e gerais. A sinalização partiu do senador baiano Angelo Coronel (PSD), que, nesta quarta-feira (1º), acusou abertamente o Partido dos Trabalhadores de tentar faturar politicamente com o tema às vésperas do pleito, utilizando a pauta como uma “peça literalmente eleitoreira”.
Segundo o senador, a manobra governista ignorou anos de inércia sobre o assunto. “O PT ressuscitou uma proposta que estava dormindo na Câmara dos Deputados há mais de três anos. O PT nunca se incomodou em tentar desarquivar. Resolveu agora, faltando três meses”, criticou Coronel. Ele reprovou a celeridade com que o projeto tramitou entre os deputados federais: “Foi uma coisa votada à meia-noite com muita pressa. Não houve oitivas, não houve um debate”.
Apesar de declarar não ser contra o trabalhador, Coronel afirmou que, na condição de “casa revisora”, o Senado vai frear a tramitação para escutar as associações empresariais. “Nós vamos ouvir à exaustão todos os segmentos envolvidos, para que os dois lados entrem em consenso, tanto quem emprega como quem é empregado”, explicou. Ao ser questionado se a votação ficaria para depois das eleições, o senador foi claro: “Acredito até que não (será votada antes). Estamos começando a discutir”.