O marqueteiro André Curvelo relembrou uma das campanhas eleitorais mais marcantes de sua trajetória política na Bahia e afirmou que a disputa em Irecê terminou com uma derrota apertada de 112 votos, apesar da mobilização popular construída ao longo da eleição.
Ao narrar o episódio, Curvelo disse que foi chamado para atuar na campanha de Dona Ivone Pimentel, mãe do ex-prefeito Luizinho Sobral, em uma disputa considerada difícil desde o início.
“Eu vou lhe responder a pergunta, mas vou lhe dizer, foi a mais frustrante”, afirmou.
Segundo ele, a candidatura adversária, liderada por Beto Lélis, aparecia como favorita nas pesquisas, enquanto Dona Yvone praticamente não era mencionada nos levantamentos iniciais.
“Numa dessas aí, que 2000, sei lá, 2000, pela Propeg, aí o Fernando, não, você tem que dar uma força lá em Irece. Aí tinha um candidato fortíssimo, que era o Beto Lélis, e tinha a mãe do ex-prefeito, que era Luizinho Sobral, Dona Ivone Pimentel. Rapaz, mas deixa eu olhar a pesquisa. Ela não aparecia, sem nem aparecer. Nem traça. Nem traça”, disse.
Curvelo afirmou que a campanha apostou na popularidade da candidata junto à população e no alcance das rádios locais para tentar reverter o cenário.
“Essa interiozão, é muito bom, meu rapaz. Aí, rapaz, rádio é muito forte lá. Rádio na época é camisa. Camisa, né? Muito forte”, declarou.
De acordo com o marqueteiro, a estratégia ganhou força após uma fala do adversário durante a campanha, que acabou sendo explorada politicamente pela equipe de comunicação.
“Aí o Beto falou alguma coisa, do tipo, não sei o que lá, de galinhas, que não pode ser assim. E aí a gente inventou que ele estava chamando de galinha e aí, vai para a rádio e começou. Rapaz, essa fala ficou arrepiada”, relatou.
Ele também relembrou a participação do então senador ACM em um comício da candidata, classificado por Curvelo como um dos maiores atos políticos que já presenciou.
“Aí cresceu, aí o ACM foi no comício. Um dos maiores comícios que eu já vi na minha vida. Praça entupida, rapaz”, afirmou.
Segundo Curvelo, Dona Ivone tinha dificuldades com discursos, mas possuía forte apelo popular. “Ela era uma pessoa, uma senhora maravilhosa, com trabalho social, com tudo, e não tinha um negócio de política na veia, não tinha nada. Aí, um negócio de discurso, esqueça, mas ela era do povo. Era querida”, disse.
O marqueteiro contou ainda que problemas logísticos também marcaram a reta final da campanha. “E aí, a camisa não chegou, a camisa foi pra Xique-Xique e a máquina que ficou presa na polícia”, relatou.
Apesar da mobilização, Curvelo afirmou que a candidatura acabou derrotada por uma diferença mínima nas urnas. “Bom, chegamos na eleição. Nesse ano fiz sete eleições. E nessa nos perdemos por 112 votos”, concluiu.
