Em Salvador, ex-presidente criticou a extinção do teto de gastos, apontou efeito cascata de “bondades eleitorais” e previu cenário dramático em 2027.
O ex-presidente da República Michel Temer (MDB) fez um duro diagnóstico sobre as contas públicas brasileiras durante agenda em Salvador nesta sexta-feira (14), onde participou da exibição do documentário “963 Dias” na programação de 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB). Para o emedebista, o próximo chefe do Executivo federal enfrentará um quadro fiscal delicado em virtude da ausência de travas orçamentárias rígidas.
Temer enfatizou que o aumento de despesas públicas sem controle exigirá medidas impopulares do mandatário que assumir o Planalto. “Quem assumir, seja o eleito ou o reeleito, vai ter que fazer um ajustamento fiscal pesadíssimo. Vai pegar as tais ‘bondades eleitorais’, todas que se verificaram ao longo do período. Como não tem teto mais para os gastos públicos… Eu controlei as coisas porque logo uma das primeiras emendas constitucionais que nós fizemos foi estabelecer um teto para as despesas públicas para diminuir a dívida pública. Hoje você não tem esse teto. Portanto, quem assumir o governo vai ter um problema seríssimo no próximo governo”, advertiu.