O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou que, se eleito em 2026, promoverá uma “reorganização profunda” das contas estaduais, com corte de despesas, redução de secretarias e revisão de contratos. Em entrevista ao site Correio, o ex-prefeito de Salvador disse que a prioridade será recuperar a capacidade de investimento do estado.
“Eu não vou aceitar um estado quebrado”, declarou. Segundo ele, a lógica será “gastar menos com a máquina e mais com o cidadão”.
Segurança pública no centro da campanha
Para ACM Neto, a segurança pública é hoje “o maior problema da Bahia”. Ele rebate a tese de que a violência seria apenas reflexo de uma crise nacional e afirma que o estado concentra cinco das dez cidades mais violentas do país, além de liderar o ranking de homicídios há uma década.
“O governador precisa chamar para si a responsabilidade, ter autoridade e coragem”, afirmou. O pré-candidato defende valorização das polícias, com melhoria salarial, investimento em inteligência e tecnologia, apoio psicossocial aos agentes e construção de presídios de segurança máxima.
Ao tratar do avanço das facções, citou como referência o modelo adotado em Goiás, sob gestão do governador Ronaldo Caiado. “Lá não tem organização criminosa, porque o bandido sabe que vai enfrentar um estado forte”, disse. Segundo ele, falta ao governo baiano “vontade” para enfrentar o crime organizado.
Sem mencionar diretamente o presidente, ACM Neto criticou a aliança entre o governador Jerônimo Rodrigues e Luiz Inácio Lula da Silva. “A parceria pela parceria não significa nada. O atual governador é parceiro do presidente e não resolveu”, afirmou.
Revogação da “aprovação automática”
Na educação, ACM Neto prometeu revogar “no primeiro dia” a portaria que ficou conhecida como aprovação automática na rede estadual. “A aprovação tem que se dar mediante o aprendizado do aluno e a avaliação dos professores”, disse. Para ele, a medida amplia a desigualdade entre rede pública e privada e compromete o futuro dos estudantes.
Pente-fino em R$ 26 bilhões em empréstimos
O ex-prefeito anunciou que fará uma revisão detalhada dos 23 empréstimos contratados pelo estado, que somam cerca de R$ 26 bilhões. Segundo ele, é preciso esclarecer objeto, prazos e obrigações de cada operação.
“Muitas vezes aprovam empréstimos sem sequer detalhar qual é o objeto”, afirmou. Ele disse que manterá os contratos considerados estratégicos, mas não descarta reavaliações caso identifique inconsistências. A meta, segundo ele, é assegurar equilíbrio fiscal e capacidade de pagamento.
Corte de secretarias e enxugamento da máquina
ACM Neto também sinalizou que pretende reduzir o número de secretarias e rever estruturas administrativas. “O estado tem muitas secretarias, algumas pastas desnecessárias”, disse. A proposta, segundo ele, segue o modelo adotado em sua gestão na prefeitura de Salvador, quando promoveu cortes para reorganizar as contas municipais.
Ponte Salvador–Itaparica sob revisão
Sobre o projeto da Ponte Salvador–Itaparica, o pré-candidato reconheceu a importância estratégica da obra para Salvador, o Recôncavo e o Baixo Sul, mas afirmou que fará uma análise da viabilidade econômica antes de qualquer decisão.
“Não vai ser com promessa ou propaganda. Vamos avaliar a viabilidade econômica e dialogar com os chineses”, declarou. Ele afirmou ter conversado com autoridades da China no ano passado e disse que, se eleito, pretende retomar o diálogo com as empresas responsáveis pelo projeto.
Chapa deve ser fechada até março
ACM Neto confirmou que o ex-ministro João Roma e o senador Angelo Coronel são os nomes mais cotados para compor a chapa ao Senado na oposição. A definição do candidato a vice-governador deve ocorrer após a consolidação das alianças.
A expectativa, segundo ele, é anunciar a chapa completa até o fim de março.
Apoio presidencial e cenário nacional
Questionado sobre a eleição presidencial, ACM Neto afirmou que apoiará um candidato de oposição ao PT. “Não será um candidato do PT. Essa é a certeza que eu tenho”, disse.
Ele reconheceu que Lula ainda mantém força no Nordeste, mas avalia que o peso político do presidente é menor do que em 2022. “Essa força não é igual ao passado. É muito menor”, afirmou, acrescentando que o cenário atual abre espaço para uma disputa mais equilibrada na Bahia em 2026.
