O candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, afirmou nesta terça-feira (1º), em entrevista à Rádio Piatã FM, que pretende mudar a estratégia de segurança pública do estado caso seja eleito. Entre as propostas apresentadas, está a criação de uma estrutura chamada por ele de “governadoria da segurança”, com participação direta do governador na coordenação das forças policiais.
Neto também prometeu estabelecer metas para os comandos das polícias na capital e no interior e afirmou que pretende cobrar resultados das corporações. Segundo o candidato, a mudança de postura do chefe do Executivo seria necessária diante do avanço das organizações criminosas na Bahia.
“Esses últimos quatro anos ele perdeu completamente o controle, sobretudo pela presença das organizações criminosas dominando o nosso território”, declarou, em referência à gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O candidato afirmou ainda que a expansão das facções teria afetado moradores de diferentes regiões do estado, inclusive áreas rurais.
“Famílias que abandonaram suas casas, deixaram para trás suas histórias por conta da presença ali das organizações criminosas”, afirmou.
Críticas a Jerônimo
Durante a entrevista, ACM Neto direcionou críticas ao governador Jerônimo Rodrigues e afirmou que a atual gestão não estaria enfrentando o avanço das facções com a firmeza que considera necessária.
“Não há outro caminho a não ser mudar a postura do governador”, afirmou.
Na sequência, acusou Jerônimo de evitar o enfrentamento do problema.
“Jerônimo Rodrigues fecha os olhos para o problema da segurança, ele finge que não acontece, ele se coloca debaixo da mesa. A verdade é essa, ele foge do problema”, disse.
As declarações ocorreram em resposta a uma pergunta sobre o avanço das facções criminosas e sobre a possibilidade de classificar essas organizações como grupos terroristas.
“Governadoria da segurança”
Como uma das principais propostas para a área, ACM Neto defendeu a criação da chamada “governadoria da segurança”, que, segundo ele, ampliaria a participação do chefe do Executivo estadual na coordenação das forças de segurança.
“Eu, caso tenha oportunidade de ser governador, eu quero implantar a governadoria da segurança”, afirmou.
A proposta prevê a integração das polícias Militar, Civil, Técnica e Penal, além do uso de tecnologia e da definição de metas para os comandos.
“Todos os comandos, na capital e no interior, vão ter metas claramente estabelecidas e o governador vai cobrar resultado desses comandos”, declarou.
Neto também prometeu investir na estrutura das corporações e na valorização dos policiais.
“Eu vou valorizar o policial, vou melhorar a remuneração do policial, vou dar condição de trabalho ao policial”, afirmou.
Presídios e combate às facções
O sistema prisional também foi citado pelo candidato. Neto defendeu mudanças na administração dos presídios para impedir que integrantes de organizações criminosas mantenham comunicação com o exterior e continuem coordenando atividades criminosas a partir das unidades.
“Presídio vai ser para punir bandido, cortar a comunicação de dentro do presídio com a parte externa do presídio, separar as facções criminosas, isolar os chefes do crime organizado”, afirmou.
O candidato também criticou as condições atuais do sistema prisional baiano e classificou os presídios como um “playground de crime organizado”.
“Eu vou investir para que presídio na Bahia não seja como é hoje, playground de crime organizado”, disse.
“Mudança de postura”
Para ACM Neto, a atuação direta do governador seria determinante para alterar os resultados da segurança pública.
“Isso tudo só vai acontecer se houver liderança, se houver presença, se houver firmeza por parte do governador”, afirmou.
O candidato resumiu sua proposta como uma mudança na condução da política de segurança.
“A principal mudança que eu proponho à Bahia é uma mudança de postura”, declarou.
Neto afirmou ainda que pretende participar diretamente das ações de combate à violência e estabeleceu dois objetivos para uma eventual gestão: reduzir os índices de criminalidade e, ao mesmo tempo, diminuir a letalidade policial.
“Eu vou me envolver diretamente no enfrentamento à violência para reduzir o índice de criminalidade na Bahia e também para reduzir a letalidade policial em nosso Estado”, afirmou.