O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou que pretende ampliar a rede hospitalar no interior do estado e reformular o sistema de regulação para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no SUS. A declaração foi dada na segunda-feira (2), em entrevista ao podcast Aqui Só Política.
Ao abordar o tema, Neto disse que não é possível extinguir o sistema de regulação, responsável por organizar o acesso a leitos e procedimentos de média e alta complexidade. “Da regulação. Vamos lá, primeiro, eu sou muito verdadeiro e claro e falei isso na campanha passada, não há como acabar com a regulação, ok? Acabar com a regulação não tem como você fazer a fila andar”, afirmou.
O pré-candidato criticou promessas feitas pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição de 2022. “Jerônimo prometeu que ia acabar com a regulação, não acabou, que ia zerar a fila, não zerou, que está tudo pior do que estava há 4 anos atrás”, disse.
Segundo Neto, a solução passa, primeiro, pela ampliação da oferta de serviços no interior da Bahia. Ele citou a concentração de leitos em Salvador e em Feira de Santana, que acabam recebendo pacientes de diversas regiões.
“É preciso aumentar o número de leitos hospitalares no interior da Bahia e aumentar a assistência no interior. Seja por hospitais que sejam construídos pelo próprio governo do estado, seja por hospitais que sejam conveniados com a iniciativa privada e com a rede filantrópica”, afirmou. “Para o paciente não interessa se ele está internado num hospital particular, num hospital filantrópico ou num hospital público, ele quer o tratamento.”
O ex-prefeito citou o modelo adotado em São Paulo como referência. “São Paulo, por exemplo, avançou muito nesse sentido, começou a comprar vaga de hospital privado. O sistema de São Paulo funciona. Nós vamos a São Paulo, vamos bater na porta e vamos copiar o de São Paulo, que funciona”, declarou.
Neto também defendeu maior parceria com prefeituras que já possuem hospitais municipais. Segundo ele, muitas unidades poderiam ampliar o atendimento com apoio financeiro do estado. “Tem muitos municípios com hospitais municipais que são razoáveis. Agora, se eles fossem ampliados na sua infraestrutura física, em equipamento e pessoal, eles iriam conseguir atender uma quantidade maior de pessoas do próprio município e até talvez da região. Para isso o prefeito não aguenta pagar a conta. Então, o governo do estado tem que chegar pagando uma parte dessa conta”, afirmou.
Além da ampliação da rede, o pré-candidato propôs mudanças administrativas na gestão da regulação. “O sistema de regulação na Bahia não funciona bem. Não funciona bem. Então, nós vamos fazer concurso para contratar profissionais que vão se especializar na regulação. Vamos buscar o espelho do que acontece no Brasil e que dá certo. Porque tem coisas que você não precisa inventar. Basta você copiar quando é bom”, disse.
Ele defendeu investimento em tecnologia e qualificação de pessoal para dar mais eficiência ao sistema. “O sistema com suporte tecnológico e com pessoal qualificado para garantir a regulação.”
Como exemplo de gargalo, Neto citou pacientes do oeste baiano que precisam se deslocar até mil quilômetros para tratamento oncológico na capital, mencionando o Hospital Aristides Maltez. “O que mata tudo? É a pessoa no oeste precisar se deslocar mil quilômetros para ser atendido aqui em Salvador, no Aristides de Maltez”, afirmou, ao defender a interiorização de especialidades médicas.
O ex-prefeito reconheceu que as medidas exigem recursos, mas disse que a prioridade orçamentária será saúde e segurança pública. “Vai ter que botar dinheiro. Ah Neto, mas se tem dinheiro? Tem, tem dinheiro, agora tem que priorizar. Não adianta imaginar que vai ter dinheiro para tudo. Ao invés de estar fazendo propaganda ou de estar investindo em coisa que não dá resultado, nós vamos botar o dinheiro em segurança e saúde, essas são as duas prioridades absolutas”, declarou.
Para ele, as duas áreas estão diretamente ligadas à qualidade de vida da população. “Essas duas áreas que, no fim do dia, dizem respeito a uma coisa só, a vida das pessoas”, concluiu.
