Em Salvador, ex-prefeito relatou que gestores são enquadrados pelo Estado se atenderem a telefonemas da oposição e previu alianças silenciosas para as eleições.
O cenário de articulação política no interior da Bahia ganhou contornos de grave denúncia nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Salvador. Durante a coletiva de lançamento do movimento “Sua Voz é Nossa Voz”, o ex-prefeito da capital e secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, subiu o tom contra a máquina estadual, detalhando um suposto esquema de perseguição e monitoramento que estaria intimidando gestores municipais de partidos oposicionistas.
Segundo o líder partidário, o grupo governista passou todo o último ano tentando desestruturar a base aliada da oposição por meio de cooptações, citando as investidas malsucedidas contra lideranças expressivas como Zé Ronaldo e Zé Cocá. Neto afirmou que muitos gestores que atualmente evitam se posicionar publicamente estão agindo de forma estratégica para assegurar recursos orçamentários vitais antes de romperem com o Palácio de Ondina. “Muitos prefeitos que estão agora em silêncio para não serem perseguidos, para não serem retaliados. Prefeitos que aguardam o prazo do final de junho, início de julho, que é o prazo final da liberação dos convênios, do repasse de recursos de obras estaduais. Eles fazem essa política da submissão”, disparou.
O ponto central da acusação residiu no detalhamento de como operaria o monitoramento político do governo. O oposicionista assegurou que o simples contato telefônico com ele dispara um sinal de alerta na governadoria, resultando em convocações impositivas e pressões imediatas. “E é impressionante porque, assim, se eles tiverem notícia de que um prefeito falou comigo no telefone, no outro dia eles estão em cima chamando o cara, botando na parede lá na governadoria e ameaçando o cara”, revelou. Diante desse clima de suposta coerção, Neto desmistificou o aparente isolamento da oposição ao garantir que há um arranjo de suporte oculto em aquaticidade para as eleições. “Eu sei o medo vivido por uma boa parte dos prefeitos da Bahia que vivem hoje sob ameaça. E sei que, até a eleição, muitos estarão conosco e outros poderão até não manifestar publicamente o seu apoio, mas vão trabalhar lá nos bastidores com os seus grupos políticos para nos ajudar”, concluiu.
