Governador da Bahia cobrou atuação da União em divisas estaduais, criticou solturas repetidas de criminosos pelo Judiciário e endossou criação de novo ministério.
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a criação de uma pasta federal exclusiva para a área foram apontadas pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) como medidas inadiáveis para o combate às facções. Em entrevista ao Metrópoles, o chefe do Executivo da Bahia afirmou que não teme perder poder sobre as polícias e cobrou a presença efetiva do governo federal no controle de divisas.
Jerônimo argumentou que os estados enfrentam limites operacionais que exigem coordenação nacional. “Eu nunca tive receio de perder poder na segurança pública, pois existem responsabilidades que extrapolam as fronteiras estaduais. A Polícia Militar da Bahia atua em conjunto com a de Pernambuco, mas falta a força federal na linha de divisa. Estamos investindo em armas, viaturas, câmeras corporais e reconhecimento facial. Para nós, aquela frase antiga vale: bandido bom é bandido preso e ressocializado dentro da lei”, declarou.
O governador frisou que a segurança exige o estrangulamento financeiro dos grupos criminosos e maior rigor das cortes de Justiça. “Temos que quebrar as fontes de renda e asfixiar a economia do crime organizado, atingindo o andar de cima. Mas a Justiça não pode ficar ausente: nossas câmeras identificam pessoas com cinco, dez passagens policiais que acabam soltas nas audiências de custódia. É preciso rigor na legislação penal”, arrematou.