Presidente nacional da legenda revelou convite do Planalto para integrar o núcleo político de “Lula 4”, mas condicionou aliança a compromisso de pacificação nacional e ampliação de apoio no Congresso.
O presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), formalizou uma proposta ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para que a legenda integre oficialmente a base de sustentação do governo a partir de 2027. A informação foi confirmada pelo próprio dirigente partidário, que sinalizou abertura para consolidar o ingresso institucional da sigla no chamado governo “Lula 4”, ressalvando que a aliança dependerá de uma mudança de postura do mandatário na condução política do país.
Kassab admitiu publicamente que “não descarta” assumir um ministério na futura Esplanada, mas impôs um freio na pressa governista ao cobrar uma estratégia de distensionamento institucional após a vitória acirrada nas urnas. “Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato. É claro que ele não pode deixar de honrar todos os compromissos sociais, foi eleito para isso”, declarou o dirigente, que acumula a chefia da Secretaria de Governo e Relações Institucionais de São Paulo na administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A movimentação busca encerrar a ambiguidade que marcou a relação entre o petista e a legenda nos últimos quatro anos. Embora o PSD tenha comandado pastas estratégicas no terceiro mandato presidencial — a exemplo de Agricultura, Minas e Energia e Pesca —, o partido nunca atuou como base formal unificada, liberando bancadas regionais e permitindo dissidências frequentes no Congresso Nacional.
Nas eleições presidenciais deste ano, o PSD concorreu com chapa própria encabeçada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Após ser derrotado no primeiro turno, Caiado formalizou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto alas expressivas da legenda, sobretudo no Nordeste e no Rio de Janeiro, já marchavam alinhadas à campanha de reeleição de Lula.
Diante de um Parlamento que sairá fragmentado e com forte presença conservadora a partir de fevereiro de 2027, a investida de Lula sobre Kassab visa blindar a governabilidade no Senado e na Câmara. Ao mesmo tempo, o movimento recoloca o presidente do PSD no epicentro das negociações do poder federal, funcionando como ponte entre o núcleo do Planalto e os setores pragmáticos da centro-direita.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil