Governador da Bahia classifica falas sobre moradores da cidade como desrespeitosas, defende voto consciente e ressalta que dependência química é questão de saúde pública
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), rebateu declarações dadas pela primeira-dama de Jequié, Polliana Leandro, e defendeu que o Ministério Público adote providências em relação a ofensas dirigidas aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no município. Em entrevista à rádio A Tarde FM na manhã desta quinta-feira (29), o gestor baiano classificou as falas como um “desrespeito muito grande” com a população da cidade.
A reação do governador ocorre após declarações da esposa do atual prefeito de Jequié, registrado depois que o ex-prefeito Zé Cocá (União Brasil) deixou a prefeitura para disputar uma vaga na chapa estadual do pleito passado. Na ocasião da eleição municipal, a chapa foi eleita com expressiva margem de votos.
“Quando o voto dos jequienses, meus conterrâneos, foi para o prefeito e vice com 92%, eram votos conscientes, inteligentes, de pessoas trabalhadoras. Quando na eleição do Lula o voto do povo de Jequié foi para o presidente, essas pessoas passaram a ser ‘cheiradoras de pó’, ‘maconheiros’, ‘preguiçosos’ e que ‘não gostam de trabalhar’?“, questionou o governador.
Cobrança ao Ministério Público e Saúde Pública
Jerônimo defendeu que as afirmações extrapolam o debate político e que o órgão fiscalizador deve analisar a conduta. “Eu inclusive peço que o Ministério Público possa entender, porque ela está depositando características nas pessoas que as pessoas às vezes não aceitam“, afirmou.
O gestor ressaltou ainda a formação da primeira-dama, que atuou na área da saúde no município, para criticar a estigmatização de usuários de substâncias químicas.
“Ela é da saúde, era secretária da saúde. Tem que entender que qualquer tipo de prática, seja uso de maconha ou de cocaína, quando tem dependência química, é problema de saúde pública. Ela teria que fazer o contrário”, declarou Jerônimo.
Ao encerrar o assunto, o governador afirmou que a sua gestão seguirá focada no trabalho e na pacificação do cenário político. “Essa ira e essa raiva, eu respondo dizendo o seguinte: eu vou trabalhar. E sei que Lula vai fazer isso, para a gente fortalecer uma unidade nacional”, concluiu.