Salvador, 28/10/2026 20:31

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Jerônimo cobra prefeitos e diz que hospitais estaduais estão lotados por falta de atenção básica nos municípios

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Em entrevista ao Boa Noite, Bahia, da Bahia FM, governador citou Feira de Santana, Vitória da Conquista e Jequié como exemplos de cidades sem hospital municipal e sem UPAs

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), fez críticas diretas a prefeituras de grandes cidades baianas pela falta de estrutura de saúde básica e cobrou que os municípios assumam o “dever de casa” para desafogar a rede estadual. A declaração foi dada na noite desta quarta-feira (28), durante entrevista ao programa Boa Noite, Bahia, da Bahia FM 88.7.

Segundo Jerônimo, unidades de alta complexidade do Estado, como o Hospital Geral Roberto Santos e o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, o Clériston Andrade, em Feira de Santana, e o Prado Valadares, em Jequié, estão superlotadas com pacientes que deveriam ser atendidos na rede municipal.

“Chegar agora no Hospital Roberto Santos ou no Geral, cê vai ver que tem muita gente ali que não era pra estar. Cê chega ali no Clériston Andrade em Feira de Santana, chega lá que você vai encontrar, se não encontrar 80%, vai encontrar mais. Porque o município não oferta atenção básica”, afirmou.

O governador citou nominalmente Feira de Santana, Vitória da Conquista, Jequié, Porto Seguro e Barreiras. Ele questionou o fato de Feira, com cerca de 700 mil habitantes, e Conquista, com quase 400 mil, não possuírem hospital municipal.

“Pesquise aí. Qual município no Brasil com 700 mil habitantes que não tem um hospital municipal? Feira de Santana é um deles”, provocou. “Conquista não tem hospital municipal. Jequié não tem uma UPA. Uma UPA é um hospital simples que dá conta de alguns problemas mais graves.”

Jerônimo disse que a situação se repete em Jequié, onde, segundo ele, a única UPA existente é mantida pelo Estado, e afirmou que mesmo que o Governo do Estado construa centenas de hospitais, o problema não será resolvido sem a contrapartida municipal.

“Enquanto não tiver hospitais municipais ou UPAs, eu posso fazer 300 hospitais. Porque você foi ali no quintal, desmentiu o dedinho do pé, você não tem um hospital municipal, não tem uma policlínica, não tem uma UPA”, criticou.

O governador também rebateu críticas ao sistema de regulação do Estado, apelidado por opositores de “Regulação Alfredo da Morte”. Para ele, a redução do tempo de espera por exames, tratamentos e cirurgias passa diretamente pela melhoria da atenção primária.

“Esses prefeitos ficam abrindo a boca pra dizer da regulação. Se os prefeitos fizerem o dever de casa, Salvador fizer, se Feira de Santana fizer, eu tenho certeza que nós haveremos de reduzir o tempo de exames, de tratamentos e de cirurgias.”

Ainda na entrevista, Jerônimo afirmou que não está fazendo as críticas com “ironia ou rancor” e que está à disposição dos municípios. Como exemplo, citou que o Estado está construindo nove Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Vitória da Conquista para entregar à gestão municipal.

“É pra mim? Não, vou fazer e entregar, prefeita. Vai ver se ela consegue melhorar a atenção básica em Conquista”, concluiu, em referência à prefeita Sheila Lemos.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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