O senador Flávio Bolsonaro (PL) se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e voltou a acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fraude eleitoral. Em carta estampando o brasão antigo – “Estados Unidos do Brazil”, utilizado entre 1889 e 1968 – divulgada após deixar o país e viajar para os Estados Unidos com a família, o parlamentar afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior e classificou o atual cenário político como um “regime de exceção”.
No documento, Flávio agradeceu ao presidente argentino Javier Milei e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio. Ele também elogiou o governo norte-americano por recebê-lo e afirmou que encontrou no país a segurança jurídica que, segundo ele, não existe mais no Brasil.
Ao contestar o resultado das eleições, o senador alegou irregularidades na votação e questionou a decisão que permitiu a extensão do horário eleitoral. Segundo ele, a medida teria possibilitado uma diferença de mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno. Flávio também acusou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defendeu a cassação da chapa.
As declarações foram apresentadas pelo parlamentar como justificativa para sua saída do Brasil. Na carta, ele afirmou que não deixou o país por medo de uma eventual prisão, mas para escapar do que classificou como perseguição política conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional”, escreveu. Flávio também negou ter fugido do Brasil e declarou que pretende continuar exercendo a liderança política fora do território nacional.
Flávio acusa STF de perseguição política
Ao longo do texto, o senador direcionou críticas ao STF e acusou integrantes da Corte de instrumentalizar a Justiça para perseguir adversários políticos. Ele afirmou que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e outros apoiadores enfrentam um processo de perseguição com o objetivo de silenciar a oposição.
Flávio também mencionou medidas judiciais como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar e condenação como etapas de um suposto roteiro de perseguição. Na carta, ele negou ter cometido crimes e afirmou que não existe mandado de prisão contra ele.
O parlamentar comparou sua situação à de figuras históricas que atuaram politicamente no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também citou lideranças venezuelanas, entre elas Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, para sustentar a narrativa de resistência a regimes autoritários.
Senador promete liderar oposição dos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende manter contato regular com os brasileiros e apresentar uma estratégia de mobilização da oposição por meios que classificou como pacíficos e legítimos. Segundo ele, a iniciativa busca impedir que Lula consolide um suposto regime ditatorial no país.
O senador também dirigiu um apelo a senadores, deputados e governadores aliados, com menção especial ao senador Rogério Marinho (PL-RN), a quem chamou de seu candidato à Presidência do Senado. Flávio declarou que assumirá, no exterior, o papel de expressar posições que, segundo ele, os aliados não teriam liberdade para defender no Brasil.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”, afirmou no encerramento da carta.
O documento termina com um apelo aos apoiadores para que permaneçam mobilizados e com a promessa de que o senador continuará se pronunciando sobre a situação política brasileira a partir dos Estados Unidos.
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