O vereador Kiki Bispo (União Brasil), líder do governo na Câmara Municipal de Salvador (CMS), criticou a movimentação da oposição para instaurar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre a operação de transporte público gratuito durante o segundo turno das eleições.
Em entrevista nesta terça-feira (27) à rádio Popular FM, no programa Informe Baiano, o parlamentar afirmou que a iniciativa não tem fundamento jurídico e acusou adversários políticos de tentar criar um “factoide”.
Segundo Kiki, o pedido não teria os votos necessários para avançar na Câmara. De acordo com o vereador, são necessárias 14 assinaturas para a abertura da comissão, enquanto a oposição dispõe de dez vereadores. “Ela já nasce morta, até mesmo porque as razões jurídicas não existem”, declarou.
O líder governista também defendeu a condução da operação de transporte pela Prefeitura de Salvador e afirmou que eventuais atrasos na disponibilização dos ônibus teriam sido provocados pelo sindicato da categoria. Segundo ele, a gestão municipal já estaria adotando medidas legais em relação ao episódio, inclusive com pedido de prisão.
Kiki sustentou ainda que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) não foi citado diretamente nos fatos que motivaram a discussão. Para o vereador, a oposição precisa reconhecer o resultado das eleições e encerrar as disputas relacionadas ao processo eleitoral.
“Precisamos desarmar os palanques. O pessoal que perdeu a eleição para o governo do estado precisa entender que a eleição passou e que não podemos ficar nessa discussão vazia o tempo inteiro”, afirmou.
Kiki compara operação em Salvador com transporte metropolitano
Durante a entrevista, o vereador também questionou a atuação do governo da Bahia na organização da mobilidade durante o segundo turno. Ele citou dificuldades enfrentadas por eleitores que tentavam atravessar a Baía de Todos-os-Santos por meio do sistema de ferry-boat, além da disponibilidade de ônibus metropolitanos.
Na avaliação de Kiki, os problemas de deslocamento não poderiam ser atribuídos exclusivamente à Prefeitura de Salvador. O parlamentar argumentou que as filas e a demora na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, assim como a circulação de ônibus metropolitanos, também teriam prejudicado eleitores que precisavam se deslocar entre municípios da região.
“Se houve prejuízo à mobilidade urbana na eleição, foi muito mais por conta do governo do estado”, declarou, ao cobrar que a oposição também se manifeste sobre a atuação da gestão estadual.
Vereador condena depredação da Prefeitura
Kiki Bispo também criticou o episódio de depredação do prédio da Prefeitura de Salvador, ocorrido na segunda-feira (26). O vereador classificou o ato como lamentável e afirmou que a bancada governista deverá se posicionar sobre o caso.
Segundo ele, a situação remete à invasão da Câmara Municipal em um episódio anterior, que também foi alvo de críticas do parlamentar. Kiki condenou as pichações, os xingamentos e as agressões relatadas durante a manifestação e criticou a participação de integrantes da oposição nos atos.
“É inaceitável. É o segundo episódio que ocorre, já virou rotina. Foi assim na Câmara Municipal, naquela invasão lamentável, e agora o prédio da Prefeitura Municipal de Salvador, um prédio secular, sinônimo da democracia da nossa cidade, foi totalmente depredado”, afirmou.
O vereador também questionou o uso de rostos cobertos durante a manifestação e defendeu que os responsáveis sejam responsabilizados.
Kiki cobra postura do presidente da Câmara
Ao comentar a possibilidade de abertura da comissão de investigação, o líder do governo defendeu que o presidente da Câmara Municipal atue como mediador e observe as regras regimentais e a legalidade do procedimento.
“ A função do presidente da Câmara, antes de mais nada, é ser um mediador e ser um magistrado, sempre com base na legalidade”, afirmou.
Kiki disse esperar que o presidente da Casa tenha bom senso na condução do caso e sinalizou que a base governista fará o enfrentamento político necessário, caso a iniciativa avance.
Ao final, o vereador voltou a criticar o que considera uma tentativa de transformar o episódio em instrumento de disputa política. Para ele, a discussão sobre o transporte gratuito e os acontecimentos registrados na Prefeitura devem ser conduzidos com responsabilidade e respeito às normas legais.