Com mais de 80% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, petista atinge 51,27% dos votos válidos, supera Flávio Bolsonaro e sacramenta triunfo impulsionado pela votação no Nordeste após votação estendida até as 19h
Em uma das disputas mais acirradas e polarizadas da história republicana, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou a apuração das eleições presidenciais de 2026 e garantiu um inédito quarto mandato no Palácio do Planalto. Segundo os dados oficiais de totalização divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 20h52 deste domingo (25), com 80,02% das seções apuradas em todo o país, o atual presidente atingiu 51,27% dos votos válidos (50.706.005 votos), contra 48,73% de Flávio Bolsonaro (PL), que somava 48.190.618 votos — estabelecendo uma diferença matemática irreversível diante do perfil dos colégios eleitorais remanescentes.
A virada nas urnas e a força do eleitorado nordestino
A apuração começou com o candidato do Partido Liberal à frente nos primeiros boletins, impulsionado pelas seções do Sul, Centro-Oeste e interior de São Paulo. Contudo, a entrada progressiva dos votos das capitais e, em especial, do Nordeste — com destaque para a Bahia, Pernambuco e Ceará — confirmou a curva de reversão prevista pelos analistas e pela coordenação da campanha governista ao longo da apuração.
No momento em que a contagem ultrapassou 399 mil seções totalizadas de um total de 499.248, Lula consolidou uma vantagem de mais de 2,5 milhões de votos sobre o senador fluminense. O índice de comparecimento foi elevado em meio ao universo de 158,7 milhões de eleitores aptos: os votos válidos representavam 96,83%, com brancos registrando 1,10% (1,12 milhão) e nulos somando 2,07% (2,11 milhões).
Domingo de tensão, prorrogação de votação e crise dos transportes
A consagração do quarto mandato de Lula ocorre ao término de um domingo marcado por intenso embate institucional e político em torno da mobilidade urbana e do acesso às urnas. Ao longo do dia, a campanha do petista denunciou retenção de frotas e cortes na circulação de ônibus em metrópoles como São Paulo, Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, acusando administrações municipais de dificultarem o comparecimento de eleitores da periferia.
O impasse levou a decisões de emergência por parte da Justiça:
- Determinação do STF e do TSE: Diante dos atrasos e da lotação nas paradas de transporte, uma decisão judicial inédita prorrogou o horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h em municípios afetados, garantindo que cidadãos retidos no trânsito pudessem exercer o sufrágio.
- Disputa de versões na Bahia: Em Salvador e Feira de Santana, enquanto o ministro da Casa Civil Rui Costa e parlamentares governistas filmavam garagens lotadas e acusavam os prefeitos Bruno Reis e Colbert Martins de crime eleitoral, os gestores municipais e concessionárias sustentavam que o passe livre estava plenamente operacional e que os atrasos decorreram de manifestações sindicais que colaram adesivos partidários nos veículos.
O marco histórico do 4º mandato
A vitória deste 25 de outubro consolida uma trajetória eleitoral ímpar para Lula, que governou o país entre 2003 e 2010, retornou ao poder no pleito de 2022 e agora renova seu mandato até 2030.
A confirmação do resultado projeta um novo ciclo de governabilidade em Brasília, com o desafio imediato de pacificar o ambiente nacional após meses de forte polarização e articular maioria de apoio junto a um Congresso com expressivas bancadas de oposição e de centro-direita.